MENSAGENS DIVULGADAS NO BOLETIM ¨O CAMINHO¨

2012

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JANEIRO

 

CARTA DE ANO BOM

Casimiro Cunha

 

Entre um ano que se vai

E outro que se inicia,

Há sempre nova esperança,

Promessas de Novo Dia...

 

Considera, meu amigo,

Nesse pequeno intervalo,

Todo o tempo que perdeste

Sem saber aproveitá-lo.

 

Se o ano que se passou

Foi de amargura sombria,

Nosso Pai Nunca está pobre

Do pão de luz da alegria.

 

Pensa que o céu não esquece

A mais ínfima criatura,

E espera resignado

O teu quinhão de ventura.

 

Considera, sobretudo

Que precisas, doravante,

Encher de luz todo o tempo

Da bênção de cada instante.

 

Sê na oficina do mundo

O mais perfeito aprendiz,

Pois somente no trabalho

Teu ano será feliz.

 

Não esperes recompensas

Dos bens da vida terrestre,

Mas, volve toda a esperança

A paz do Divino Mestre.

 

Nas lutas, nunca te esqueça

Deste conceito profundo:

O reino da luz de Cristo

Não reside neste mundo.

 

Não olhes faltas alheias,

Não julgues o teu irmão,

Vive apenas no trabalho

De tua renovação.

 

Quem se esforça de verdade

Sabe a prática do bem,

Conhece os próprios deveres

Sem censurar a ninguém.

 

Ano Novo!... Pede ao Céu

Que te proteja o trabalho,

Que te conceda na fé

O mais sublime agasalho.

 

Ano Bom!... Deus te abençoe

No esforço que te conduz

Das sombras tristes da Terra

Para as bênçãos de Jesus.

 

Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

TOPO DA PÁGINA

 

 

Dando continuidadae à divulgação das sinopses das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier. Seguimos com MECANISMOS DA MEDIUNIDADE- PARTE 2ª .

A leitura da sinopse não exclui a leitura do livro. Ela tem por finalidade relembrar a quem já leu as obras, determinados pontos importantes. Para aqueles que ainda não conhecem as obras de André Luiz, poderá ser um despertamento para levar à leitura das obras.

 

Título: "MECANISMOS DA MEDIUNIDADE" - (26 capítulos - 188 páginas)

AUTOR: Espírito ANDRÉ LUIZ (pseudônimo espiritual de um consagrado médico que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro)

PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e WALDO VIEIRA (concluída em 1959)

EDIÇÃO: Primeira edição em 1959, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ).

Neste trabalho estamos consultando a 9ª edição/1986. Em 2006 foi lançada a 25ª edição, do 221º ao 225º milheiro de exemplares.

ABERTURA: Registros de Allan Kardec, designados pelo Autor espiritual

PREFÁCIO: Espírito EMMANUEL — Mediunidade.

INTRODUÇÃO: Do próprio Autor Espiritual (ANDRÉ LUIZ) — Ante a Mediunidade.

PARTE 2 ( CONTINUAÇÃO DO CONTEÚDO DO BOLETIM DE DEZEMBRO 2011).

MEDIUNIDADE E ELETROMAGNETISMO

8.1 – Mediunidade estuante

O cobre, a prata, o ouro e o alumínio têm elétrons livres facilmente separáveis do átomo e por isso são chamados condutores. Tal separação se dá por pressão elétrica e nisso ocorre algo bem interessante: cada átomo, ao se ver sem o elétron, imediatamente busca um outro elétron de reposição, do átomo seguinte. Essa ocorrência determina a direção da corrente elétrica. Isso deixa os átomos em harmonia.

Os médiuns com sensibilidade psíquica exacerbada, para se transformarem em tarefeiros de Jesus, carecem de educação mediúnica, para que não mais se vejam entrelaçados na teia das vibrações mentais com as quais tenham afinidade.

8.2 – Corrente elétrica

O ímã e suas propriedades são valiosos elementos de comparação em assuntos referentes a campos magnéticos. Limalhas de ferro ou aço são atraídas para o ímã e essa atração obedece invariavelmente a um posicionamento voltado no sentido e na direção do pólo norte da Terra.

A corrente elétrica é a única fonte de magnetismo de conhecimento humano do homem, encarnado ou desencarnado... E a corrente mental, nisso, guarda alguma semelhança com a corrente elétrica.

A eletricidade vibra em espaços infinitamente reduzidos e os elétrons (ah!, os elétrons...) realizam “saltos” ao redor do núcleo (movimento de translação) e sobre o próprio eixo (movimento de rotação). As partículas que mostram esses movimentos produzem efeitos que são chamados de “spins” (Spin: do Inglês to spin = fazer girar).

NOTA : Oportuno lembrar que o Autor espiritual refere-se à pujança do dinamismo universal, aqui tecendo considerações sobre espaços e dimensões situados no micro.

8.3 – “Spins” e “domínios”

Spins são movimentos giratórios que acontecem nas camadas atômicas.

Podem ter natureza positiva ou negativa e se compensam. Isso não ocorre em todos os elementos: o átomo de ferro, por exemplo, tem quatro “spins” desajustados nas camadas periféricas e esse átomo, ao se reunir a um outro átomo de ferro, ambos se conjugam, formando espontaneamente ímãs microscópicos — os “domínios”.

“Domínios” se mostram irregulares e desordenados, mas quando conjugados, alinham-se e se ajustam espontaneamente.

Quando acontece essa interação atômica os spins encontram uma barreira formada pelo atrito dos campos magnéticos próprios. Mas, havendo aumento da intensidade magnética eles (os “spins”) se alinham e ocorre padronização da orientação de todos.

Esse fluxo magnético tende a aumentar na proporção do aumento do campo magnético. Quando todos os “spins” de um determinado material se projetam na mesma direção, temos que esse material está saturado.

8.4 – Campo magnético essencial

“Domínios”, quando associados, produzem linhas de força formadoras do campo magnético essencial, que pode ser facilmente demonstrado por uma agulha magnética.

Um pólo magnético colocado a um centímetro de outro pólo igual cria repulsão ou atração, cuja força equivale a um dina, cuja massa magnética unitária é designada de oersted.

NOTA: Oersted: unidade eletromagnética de campo magnético. A denominação homenageia Hans Christian Oersted, físico dinamarquês (1777-1851), que numa célebre experiência descobriu o campo magnético criado pelas correntes elétricas.

Num campo magnético cujas ações horizontais sejam diferentes das verticais isso provoca grande intensidade.

Nos elementos de “spins” compensados os respectivos ímãs microscópicos se mostram em equilíbrio. Já elementos com “spins” descompensados nas camadas periféricas do átomo essa harmonia (ou saturação) não acontece.

Nosso planeta possui substâncias magnéticas naturais.

O ferro, o aço, o cobalto, o níquel e as respectivas ligas — em especial o ferro doce — podem ser artificialmente imantados (magnetizados), cujo efeito durará apenas sob a ação magnetizante. O aço temperado mantém a imantação por mais tempo.

8.5 – Ferromagnetismo e mediunidade

O ferromagnetismo se presta ao estudo da mediunidade, naturalmente após as considerações feitas sobre circuitos elétricos e efeitos magnéticos.

Pessoas normais têm seus “spins” mentais em equilíbrio e com isso suas emoções comuns são entrosadas e harmônicas.

Por outro lado, aqueles cujos “spins” se mostram descompensados carregam consigo mesmos condições mediúnicas ou situações que exigem auxílio de correntes de força que lhes dê equilíbrio. Interessante notar que isso pode acontecer com almas abnegadas (por exemplo: missionários desencarnados em difíceis tarefas nas regiões umbralinas, onde comparecem para auxiliar ao próximo ali estacionado; ou, ainda, almas desajustadas, em penosos processos regeneradores).

Deduzimos, pois, que mentes equilibradas e afinadas com o meio material têm reduzido campo magnético; já os Espíritos muito experientes são rodeados por intenso campo magnético, sejam os devotados ao bem como os que trilham pelos caminhos do mal.

8.6 – “Descompensação vibratória”

Mediunidade ou capacidade de sintonizar constituem patrimônio de todos os homens.

E todos possuímos campo magnético próprio, de alta intensidade, demonstrando “descompensação vibratória”.

Esse estado tanto pode ser o daqueles Espíritos voltados para a prática do bem, quanto o das almas que infelicitaram a si mesmas, pelas transgressões das Leis Morais.

No mundo, assim, encontraremos criaturas de pequena ou grande existência terrena, umas trazendo contribuição para o programa da Humanidade e outras, em situação oposta, purgando delinqüência em penosos lances expiatórios.

9. CÉREBRO E ENERGIA

9.1 – Geradores e motores

A força eletromotriz é criada por geradores e potenciada por motores.

As máquinas elétricas têm enrolamentos imbricados (fios superpostos, uns aos outros) ou ondulados, existindo diversos aparelhos dessa espécie.

A maioria dos geradores são auto-excitados, isto é, a corrente elétrica os induz à geração de energia.

Da mesma forma a atenção ou desatenção do médium criará energia mental e a respectiva expansão.

9.2 – Gerador “shunt”

(“Shunt”: do Inglês = derivado)

Num gerador “shunt”, quando o interruptor é ligado o induzido começa a girar, forma-se campo de magnetismo residual e então surge pequena energia eletromotriz. Se o interruptor for fechado a força eletromotriz que havia se formado se transforma em força magnetomotriz, no mesmo sentido do magnetismo residual.

Quando a força eletromotriz alcança a maior potência a voltagem pára de se elevar ao ser atingida a saturação.

9.3 – Frustração da corrente elétrica

Se a corrente elétrica de um gerador não se modificar ocorrerá frustração:

- por ausência de magnetismo residual (aparelhos novos ou em desuso por tempo longo);

- por inversão das ligações no circuito do campo, pois assim como o magnetismo residual no campo “shunt”, ligado à armadura deriva ação naquele campo, a forma eletromotriz será gerada pela corrente elétrica e adicionada ao campo residual

(Armadura: em eletricidade = pedaço de ferro que estabelece a ligação dos pólos de um ímã);

- muita resistência por parte do circuito do campo, podendo surgir causa de ligações inconvenientes ou sujeira acumulada na máquina.

9.4 – Gerador do cérebro

O cérebro, por analogia, no nosso estudo, contém um gerador auto-excitado, que realiza, na sua intimidade, gama expressiva de tarefas: geração, excitação, transformação, indução, condução, exteriorização, captação, assimilação e desassimilação da energia mental.

Inexiste, na Terra, um aparelho capaz de tal desempenho.

O cérebro encerra em si mesmo células especiais que se constituem em usinas microscópicas a acionar motores de sustentação para o corpo todo.

Os implementos miniaturizados da eletrônica dão pálida idéia da ação daquelas ínfimas usinas instaladas no cérebro.

Pois é nessa prodigiosa área (cerebral) que a matéria mental, ao comando constante do Espírito, produz correntes que se exteriorizam, durante a vida toda e mais se mostra na aura do homem, em ação e reação contínuas.

Nesse ponto o Autor espiritual lembra que o gerador comum atinge atividade máxima conforme a resistência encontrada no campo, perdendo força quando da saturação.

Partem do cérebro ordens e decisões, cujos resultados gerarão débito ou crédito ao responsável — o Espírito imortal.

No córtex estão a sede dos sentidos, os centros da palavra escrita e oral, a memória e os vários automatismos biológicos, tudo conectado à mente. E ainda, a memória profunda, respondendo pelo discernimento, pela análise, pela reflexão, pelo entendimento e pelos valores morais de cada indivíduo.

As correntes mentais formadas de átomos semelhantes visitam e circulam por todas essas províncias físicas, da mesma forma que as correntes elétricas circulam pelos vários aparelhos, neles formando resíduos magnéticos. Daí, deduzirmos que também a corrente mental produz eletromagnetismo.

9.5 – Corrente do pensamento

O Espírito tem uma força eterna, de propriedades inimagináveis: o pensamento! Ele é qual uma corrente que, no indivíduo desatento, tem pequena potência; mas, no homem concentrado, a energia mentocriadora cresce, formando resíduo de magnetismo que dilatará o fluxo, fazendo a energia mental alcançar o seu maior valor — seria algo assim como a elevação da voltagem no gerador elétrico, até à saturação.

Segundo os objetivos (intenção) buscados por esse pensador, a energia mental alcançará ponto máximo e se dirigirá à sua realização.

9.6 – Negação da corrente mental

A energia mental (criativa) não se expandirá se:

- não houver magnetismo residual (caso dos cérebros primitivos, das criaturas recém-promovidas ao reino hominal, ou mesmo aquelas outras, de várias vivências, muitas delas em ociosidade espiritual)

- os circuitos mentais estiverem invertidos, por egoísmo e por perturbações obsessivas a que o Espírito tenha dado azo

- houver deficiência física, causada por problemas temporários ou por desmazelo (desrespeito) do indivíduo para com o próprio corpo.

10. FLUXO MENTAL

10.1 – Partícula elétrica

Todos os elementos químicos são formados por átomos e cada átomo tem um conjunto determinado de elétrons (“número atômico”) distribuídos em torno do núcleo.

O deslocamento das partículas de um elemento cria um campo elétrico que forma ondas, segundo o número atômico desse elemento.

Os elétrons tiveram sua carga e massa medidos com precisão, sendo demonstrado que a energia se propaga em partículas infra-atômicas que promovem proporcionais pulsações eletromagnéticas.

A corrente elétrica ao circular num condutor (como uma “bola de eletricidade”) gera calor, campo magnético ao redor desse condutor, produz luz e resulta em ação química. Detalhes dessa circulação:

- o calor acontece pelas colisões dos elétrons livres, em translação sobre si mesmos

- o campo magnético é criado a partir do deslocamento das partículas

- a luz é produzida pela corrente elétrica do condutor

- a ação química decorre de determinadas soluções.

10.2 – Partícula mental

A consciência administra emoções e desejos íntimos do Espírito, formulados pela mente e que circulam em partículas pela corrente mental, produzindo irradiações eletromagnéticas. Esse processo guarda alguma semelhança com o trânsito das partículas elétricas (texto do item anterior).

A expansão das partículas mentais varia em razão do estado mental de quem as emite. De novo: essa expansão palidamente se assemelha à chama, que iluminará à sua volta em intensidade proporcional à energia nela empregada.

10.3 – Corrente mental sub-humana

O Autor presta-nos fantástica informação: são encontradas correntes mentais (das bem elementares às mais complexas) nos reinos inferiores da Natureza: no mineral (!), nos vegetais, nos animais mais simples e nos animais superiores (aqueles já candidatos à promoção na produção do pensamento contínuo).

Tais correntes mentais não passam de impulsos constantes de sustentação da vida primária dos seres sub-humanos. Cumpre destacar que nos ani mais superiores os impulsos mentais já deflagram percepções avançadas.

10.4 – Função dos agentes mentais

Da sua criação à chegada ao reino hominal o Princípio Inteligente (P.I.) foi sendo sustentado e amparados por Espíritos Siderais, os quais, a pouco e pouco equiparam-no com automatismos biológicos múltiplos. Esses automatismos se expressam por impulsos mentais incessantes (ondas eletromagnéticas), com ação no cérebro, pondo em ligação (sinapses) os impulsos nervosos que então passam de um a outro neurônio.

Todas essas operações contam com a ação de milhões e milhões de células que se interligam eletromagneticamente à dinâmica daqueles automatismos. Disso decorre o equilíbrio orgânico, pois essas células, em conjunto, são micro-usinas que, sob estímulos coordenados, produzem e distribuem subsídios químicos para todo o corpo físico.

10.5 – Corrente mental humana

No cérebro humano, de maior complexidade, que não age apenas fisiologicamente, iremos encontrar as correntes mentais que alicerçam a evolução da alma, formulando ações concebidas pelo pensamento contínuo, a se caracterizarem por co-criação, de alguma forma colaborando com a incomparável obra da Criação Suprema — Deus.

É assim que o indivíduo, pela criatividade e projetos nobres ascende a planos espirituais mais altos.

A corrente mental visita todas as células do corpo humano, em vibrações ondulares adequadas a cada província orgânica, em particular.

Faz mais essa abençoada corrente: tem ação vitalizante na alma e por conseqüência em todas as articulações, órgãos e núcleos glandulares endócrinos, possibilitando ao Espírito extrair recursos e sustentação para emitir seus pensamentos, bem como para recolher e decifrar pensamentos dos outros.

10.6 – Campo da aura

O Espírito, tanto do homem encarnado quanto desencarnado, expressa respectivamente, ao redor do corpo físico ou do perispírito, as radiações correspondentes ao seu nível evolutivo. Essa irradiação envolve a criatura em uma túnica (aura) de forças eletromagnéticas e apresenta-se mais ou menos condensada, expondo “essências e imagens do mundo íntimo” do ser.

NOTA: Talvez possamos conjeturar que a aura, assim, é um verdadeiro documento de identidade do Espírito, quanto à sua condição moral.

A aura se expande e segundo sua energia condensada poderá alcançar espaços distantes de onde está a alma (ser encarnado) ou o Espírito (ser desencarnado).

NOTA : Kardec, pedagogicamente, recomenda a denominação “alma” para designar o ser encarnado e “Espírito”, o desencarnado.

Nesse alongamento, a aura influenciará os que com ela tenham afinidade, mas também assimilará injunções dos que com ela simpatizam.

Assim como a luz diminui de intensidade com o afastamento do fulcro gerador, a aura também perde poder de influenciar, segundo a distância a que se expanda.

11. ONDA MENTAL

11.1 – Onda hertziana

As correntes atômicas que geram forças corpusculares na Terra dão-nos idéia clara de como o pensamento (radiação mental) utiliza substância mental para presidir, em ondas de várias freqüências, a todos os fenômenos do Espírito.

Com efeito, o pensamento utiliza o cérebro para emitir suas criações e receber as dos outros, assim como as ondas eletromagnéticas (ondas hertzianas) se expressam, quanto ao comprimento, em ondas largas médias ou curtas.

11.2 – Pensamento e televisão

A televisão funciona por feixes eletrônicos, bem controlados: a aparelhagem utilizada capta, transforma, irradia e transmite imagens e sons, simultaneamente.

Assim também, de cérebro a cérebro, o pensamento (formulado em ondas) transmite e recebe ondas. Ao pensar, o Espírito cria a respectiva forma-pensamento que é arrojada do íntimo para o exterior e será assimilada por quem sintonizar com ela. A recíproca é verdadeira: o que os outros pensam pode ser captado e aceito por nós. Esse mecanismo é semelhante à ação do hipnotizador sobre o hipnotizado.

(A seguir, neste item, o Autor espiritual detalha o funcionamento da televisão).

11.3 – Células e peças

A televisão, a sua aparelhagem e o respectivo funcionamento constituem, inegavelmente, um prodígio da eletrônica. Mas o cérebro humano... ah! é fantasticamente superior em organização e capacidade!

Na emissão e recepção de “estímulos, imagens, vozes, cores, palavras e sinais múltiplos”, o cérebro utiliza caminhos que levam e caminhos que trazem tudo isso, simultaneamente.

A televisão necessita de implementos específicos para captação das imagens e sons, os quais, para serem transmitidos exigem outra coleção de implementos.

É por isso que é pobre a comparação da TV com o cérebro humano, já que este é, ao mesmo tempo, transmissor e receptor, não só de imagens, sons, cores, vozes, estímulos, mas também e ainda de formas-pensamento.

11.4 – Alavanca da vontade

O pensamento de toda criatura se expressa por oscilações mentais, as quais combinam por simpatia-sintonia com o pensamento de outras criaturas. Isso é válido para encarnados e desencarnados.

O fluxo energético de cada indivíduo define-lhe a personalidade, de forma inconfundível. É assim que o bem ou o mal que cada Espírito traz encerrados em si mesmo são-lhe identificador indubitável.

Milênios e milênios de experiências levam o Espírito a desenvolver e equipar-se da alavanca da vontade, com a qual, por largas faixas, do primitivismo a um determinado nível evolutivo impera o instinto de conservação e idéias fixas na sua sobrevivência.

11.5 – Vontade e aperfeiçoamento

O homem, nos primórdios, com memória e imaginação ainda bem limitadas, não exerce a vontade de aprender a decidir. Evoluir, para ele, é difícil. Mesmo agregando-se a semelhantes, a egolatria nele fala alto. A Lei Divina do Progresso, no entanto, inexorável, em últimas instâncias recorre à pedagogia da dor — a “dor-evolução” .

Prazer individual e domínio — vontades exercidas por incontáveis existências — vão paulatinamente sendo substituídas pelas vontades de aperfeiçoamento e ajuda ao semelhante.

11.6 – Cíclotron da vontade

( Ciclotron: acelerador circular de partículas)

O homem sempre dirige seus pensamentos aos Espíritos elevados e nesse patamar evolutivo dispõe de mecanismos mentais para impedir a ação de idéias contrárias. Esses mesmos mecanismos ajudam o indivíduo a unir, às suas, as ondas simpáticas dos outros. Mas, a Lei Divina da responsabilidade (ação e reação) é invariável: projetos nobres, ou infelizes, são criações mentais e deles advirão, respectivamente, liberdade ou prisão, conhecimento ou ignorância, maiores bens ou deficiência no próprio destino.

12. REFLEXO CONDICIONADO

12.1 – Importância da reflexão

Pela reflexão o Espírito (encarnado ou desencarnado) faz com que sua mente crie poderosas energias mento-eletromagnéticas, a se exteriorizarem em corrente psíquica de potencial e qualidade inconfundíveis, quanto à fonte geratriz: ele mesmo.

Cada um de nós gera força criativa que expressa nossa personalidade em ondas próprias, as quais influenciam pessoas que com elas se afinizam, ao tempo que recolheremos também as ondas similares criadas pelos outros.

Esse mecanismo ocorre em função da sintonia, afinidade, simpatia.

12.2 – Tipos de reflexos

Muitos são os reflexos do ser: congênitos ou incondicionados (chamados de protetores, alimentares, posturais e sexuais). Cada um desses reflexos se manifesta por via própria, de cada espécie, sem intervenção da vontade. Nada objeta considerar tais reflexos como os automatismos biológicos implantados pelos Engenheiros Siderais da Vida, em cada indivíduo, a partir dos primórdios do Princípio Inteligente.

Outros reflexos, no entanto, podem ser adquiridos, isto é, com base nos reflexos incondicionados outros se lhes acoplam.

12.3 – Experiência de Pavlov

Exemplo clássico de reflexo condicionado, com manifestações da atividade nervosa superior, foi demonstrado Ivan Petrovitch Pavlov, fisiologista e psicólogo soviético (1849-1936), prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, de 1904. Com efeito, utilizando cães, separados desde o nascimento da mãe, o cientista condicionou esses animais a se alimentarem de leite, artificialmente e eles só demonstraram possuir o reflexo patelar (aquele, da famosa pancadinha na patela — osso do joelho) e o reflexo córneo-palpebral. À vista de carne, que é alimento tradicional de cães, os animais não reagiram com salivação, o que só viria a acontecer, daí em diante, depois que a carne lhes fosse colocada na boca.

Assim, os cães passaram a demonstrar mais um reflexo, aos que já possuíam.

12.4 – Reflexos psíquicos

Vimos que há possibilidades de modificar alguns hábitos naturais dos animais, isto é, um cão em processo evolutivo pode deixar de “preferir carne”, o que é longa tradição na espécie. A alimentação, que é um reflexo incondicionado, pode, dessa forma, sofrer alteração e se sobrepor a impressões ancestrais. Isso, em todos os seres vivos.

No caso humano, se aplicarmos o mesmo princípio dos reflexos condicionados aos reflexos psíquicos, atestamos que a razão e o livre-arbítrio, postos a serviço da nossa evolução, constituem fontes inesgotáveis de discernimento, para nossa escolha.

Os reflexos condicionados mentais emitidos por uma pessoa trazem, em si mesmos, o mecanismo da emissão dos temas afins daquela mente, que se exteriorizam, impressionam outras pessoas e voltam à origem, acrescidos das criações mentais dessas mesmas pessoas.

Tais os processos inconscientes da conjugação mediúnica, incipiente de início, para a plenitude, após a sedimentação mental de tais reflexos.

12.5 – Agentes de indução

A auto-sugestão é poderosa ferramenta para a aquisição de hábitos, comportamentos, criação de idéias. Uma vez que o homem raciocina, torna-se responsável pelo que sua mente exteriorize e pelas conseqüências disso, muitas das quais não consegue aquilatar. Essas formas-pensamento que lançamos na psicosfera fazem-se indutivas, fraca ou fortemente sobre outras pessoas, segundo a idéia seja mais ou menos fixa.

É assim que todos os homens se interligam pelo pensamento, automaticamente(!)

Muita vigilância impõem os agentes de indução, quais sejam a conversação, a leitura de uma ou outra obra, a contemplação de um quadro, visitas (feitas ou recebidas), conselhos, opiniões. Todas essas atividades criam vida — vida mental —, cuja energia influenciará outrem. Do que elas resultarem, o emitente será invariavelmente o responsável.

12.6 – Uso do discernimento

Estar revestido com o corpo físico não impede a ninguém de pensar, no bem ou no mal. O livre-arbítrio de cada Espírito deve se pautar no discernimento, na constante preocupação em não ferir ao próximo. A existência terrena e mais ainda a vivência espiritual são conjugadas a correntes eletrônicas e correntes mentais, por todos os lados. Estreita e permanente ligação com Espíritos nobres (pela prece, por atitudes elevadas, por leituras esclarecedoras) são atitudes das mais recomendáveis, para que estejamos sempre nos policiando, quanto aos pensamentos, às escolhas, às ações.

Eles se aproximarão de nós e certamente nos sustentarão nas horas difíceis.

13. FENÔMENO HIPNÓTICO INDISCRIMINADO

13.1 – Hipnotismo vulgar

Hipnotismo a título de espetáculo se vale de propriedade do reflexo condicionado, vez que o hipnotizador, geralmente em presença de público, induz a todos que concedam obediência e respeito. Nesse ponto, entrando em sintonia as vibrações dele e de alguns assistentes, estes são selecionados para a demonstração que é buscada.

Um objeto é mostrado e todos os “selecionados” devem se fixar nele...

Não tarda e de forma espontânea uma ou outra pessoa demonstra a passividade pela qual é-lhe sugerida essa ou aquela atitude, nem sempre digna, na maior das vezes hilária. O hipnotizado, subjugado mentalmente, cria as imagens (ou se porta) segundo as idéias sugeridas. Obedece e diverte o “respeitável público”. Triste espetáculo!

A influência mental do hipnotizador, não raro, funciona até em pessoas distantes dele, seja através do rádio ou da televisão.

13.2 – Graus de passividade

Ocorrendo a invasão mental de comando, do hipnotizador para o hipnotizado, este atenderá ao apelo alucinatório criado por si mesmo. Dependendo do grau de obediência, encontraremos hipnotizados “comuns”, letárgicos e até em catalepsia.

Hipnose e letargia, via de regra, provocam sono e na catalepsia (em alguns casos na letargia também), emancipação parcial do Espírito, com desprendimento perispiritual.

NOTA: Conjeturamos que tal sujeição pode ser danosa ao hipnotizado pelo desdobramento provocado, cujo retorno foge ao seu controle e à naturalidade.

13.3 – Idéia-tipo e reflexos individuais

Em algumas exibições de hipnotismo vulgar ele pode envolver mais de um passivo.

Ao comando “de frio”, por exemplo, os cérebros dos hipnotizados reagirão obedientemente à sensação térmica, contudo, cada um à sua moda: um abotoará o casaco (imaginário), outro erguerá a gola da camisa para aquecer o pescoço, outro gesticulará ajeitar um cachecol inexistente, outro soprará ar quente nas mãos, etc.

Tudo isso ocorre porque cada um age segundo sua “idéia-tipo” quanto ao frio.

13.4 – Aula de violino

Esses mesmos “sujets” (do francês: assunto, objeto, tema; súdito, vassalo; em Gramática: sujeito), recebendo informação que se encontram em aula de música e recebendo ordem de ensaiar o violino, gesticularão serem violinistas.

Naturalmente, os que desconhecem o assunto se portarão de modo grotesco e se eventualmente houver quem de fato seja violinista, este executará gestos adequados.

13.5 – Hipnose e telementação

Em alguns casos o hipnotizado poderá substituir parcialmente sua personalidade e representar a de outrem: um cantor famoso, um político, um artista, etc.

Tanto mais expressiva será a manifestação quanto o hipnotizado conheça a personagem que está imitando. Por exemplo: recebendo comando para imitar um maestro, imediatamente criará uma forma-pensamento de uma batuta e de estar à frente de uma orquestra. Aí, manipulará essa batuta invisível como se material fosse...

Se a personalidade a ser “vivida” pelo “sujet” lhe é desconhecida, só com muitas informações do hipnotizador poderá evidenciar-se o transe.

13.6 – Sugestão e afinidade

Numa ligação mental mais enérgica entre hipnotizado e hipnotizador, se aquele der uma ordem para que este faça isso ou aquilo após sair do transe, isso irá de fato acontecer. Por exemplo: ao sair da hipnose oferecer um copo de água a alguém.

Contudo, se em tal circunstância o comando do hipnotizador for de ordem moral, essa ordem só será obedecida se houver afinidade profunda entre ambos e se de fato o “sujet”, em condições normais, apresenta tendência plena de agir como o hipnotizador lhe ordenou.

14. REFLEXO CONDICIONADO ESPECÍFICO

Em nota de rodapé o autor espiritual adverte que suas explanações sobre o hipnotismo são formuladas apenas para explicar mecanismos da mediunidade e não para serem praticados pelos “companheiros do Espiritismo”.

14.1 – Pródromos da hipnose

O capítulo anterior tratou da hipnose vulgar, teatral, pública.

Se o hipnotizador for um homem probo e for procurado por alguém que lhe pede ajuda para se livrar de doença nervosa, de pronto se estabelecerá contato positivo entre os dois, a partir de acolhimento simpático, carinhoso. Feita tal ligação e após palavras de ânimo, o consulente acatará de boamente o convite para responder a algumas perguntas, após ser instalado em confortável poltrona.

14.2 – Mecanismo do fenômeno hipnótico

Com o “paciente” sentado e o hipnotizador à frente dele, este situará levemente sua mão esquerda sobre a cabeça daquele e com a mão direita levemente erguida ordenará que fixe a vista nos dedos daquela mão.

Esse quadro caracteriza projeção de fluxo mental, do hipnotizador ao hipnotizando, que será captado pela glândula epífise deste. De certa forma podemos considerar que citada glândula é verdadeira antena para captação mediúnica.

Nesse ponto o hipnotizado estabelece “circuito fechado” mental sobre si mesmo, com a atenção plenamente fixada na vontade do hipnotizador.

Será então induzido a sono, mediante ordem calma que o cérebro se encarregará de obedecer, com liberação dos componentes fisiológicos adequados (aglutininas).

É hora do hipnotizador, com voz grave e calma, dirigir ordem ao “sujet” para que, ao acordar, esteja livre das perturbações nervosas. Tal ordem é bem detalhada e sempre pontilhada de informes de que “tudo está bem”.

14. 3 – Mecanismos da hipnoterapia

Ocorre no hipnotizado, nesse sono provocado, uma benéfica administração das sugestões recebidas, eis que seu veículo fisiopsicossomático as assimilará e mais: eliminará, se não todas, grande parte das inibições funcionais nele instaladas.

A ação do hipnotizador é catalisadora: desencadeia a recuperação, por reflexoterapia.

Quinze minutos mais ou menos após o hipnotizador traz o hipnotizado à vigília, já manifestando melhoras expressivas(!) e manifestando agradecimentos.

Como é fácil de deduzir, o hipnotizador apenas exerceu influência, mas a ação curativa aconteceu integralmente sob responsabilidade individual do hipnotizado.

14.4 – Objetos e reflexos específicos

O tratamento prosseguirá. No dia seguinte, já no encontro entre hipnotizado e hipnotizador, a sintonia se estabelecerá com facilidade e aquele desencadeará, inconscientemente, forças mentais auto-energizadas, como reflexo dos conselhos deste, na véspera.

Esse condicionamento é tão evidente que até mesmo um simples objeto dado de presente pelo hipnotizador ensejará com que “o paciente”, numa eventual crise e na ausência daquele, promova a autocura.

Talismãs, ou outros objetos considerados “imantados” trazem encerrados em si mesmos esse princípio, isto é, por vezes à distância do fulcro em que foram formados, agem como catalisadores parciais de cura de algum distúrbio orgânico.

14.5 – Circuito magnético e circuito mediúnico

A continuidade do envolvimento entre hipnotizado e hipnotizador carreará circuito mediúnico perfeito entre ambos. Essa hipótese de continuidade é propícia para serviços de trocas mentais, pois o magnetizado, alcançada a própria cura pelo reequilíbrio da região nervosa anteriormente afetada, essa ora se mostra em harmonia.

Instalada tal simbiose mental, alimentada diariamente pelo fluxo do hipnotizador sobre o hipnotizado, o cérebro deste passará a apoiar-se no daquele, acatando livremente suas inclinações e seus desígnios. Tão forte será essa junção que o “sujet”, sob controle do magnetizador, até se desdobrará perispiritualmente, vendo e ouvindo só o que este lhe repassar.

14.6 – Auto-magnetização

O reflexo condicionado específico estabelecido entre o hipnotizador e o hipnotizado é de tal intensidade que este poderá “cair em hipnose ou letargia, catalepsia ou sonambulismo”, mesmo que já não mais esteja contato com aquele, desde que tenha prosseguido interessado em manter ou ampliar suas conquistas espirituais.

Isso acontecerá mediante concentração profunda nas lembranças exitosas, a respeito.

Faquires (para citarmos um exemplo de desdobramento auto-induzido), separados do corpo físico entram em contato com Espíritos afins e nessa circunstância até conseguem modificar a ação orgânica dos sentidos, provocando reações inusitadas dos sentidos, por essa ou aquela ação sobre o universo celular orgânico.

15. CARGAS ELÉTRICAS E CARGAS MENTAIS

15.1 – Experiência vulgar

Referindo-se ao mecanismo do hipnotismo vulgar, sem finalidades construtivas (cap 13, desta obra), o Autor espiritual cita agora à “propagação indeterminada dos elétrons nas faixas da Natureza”. Relembra a experiência popular de se esfregar uma caneta tinteiro (estávamos em 1959... e elas ainda existiam) com um pano de lã, formando bolhas de ar nesse pano das quais se desprendem elétrons livres que irão se acumular na tal caneta, que ficará negativamente carregada. Aproximando esta caneta de fragmentos de papel (muito pobres de elétrons) tais fragmentos serão atraídos (“sugados”) para a caneta, por ação dos elétrons livres carregados positivamente.

15.2 – Máquina eletrostática

Máquinas eletrostáticas que possibilitam experiências primárias de eletricidade operam nessa mesma propriedade daquela com a caneta-tinteiro. Discos de ebonite, em movimento rotatório, “esfarelam” as bolhas de ar existentes entre eles, liberando os elétrons quase soltos. Esses elétrons, por ação de escovas, são arremessados às esferas metálicas, acumulando-se até soltar faíscas.

Máquina eletrostática

NOTA : Máquinas eletrostáticas são geradores mecânicos de eletricidade em alta tensão. As máquinas de atrito foram as primeiras formas desenvolvidas para a geração de eletricidade em quantidade significante, e praticamente toda a pesquisa inicial sobre eletricidade, nos séculos XVII e XVIII foi desenvolvida com nada mais sofisticado que estes curiosos dispositivos como fonte de energia. Atualmente (princípio do século XXI), estas máquinas são muito pouco conhecidas, com muito de sua história esquecida.

15.3 – Nas camadas atmosféricas

Elétrons livres, em camadas, estão em toda parte.

Nos dias de calor o ar aquecido remete às camadas atmosféricas mais altas o produto da evaporação (conjunto de átomos), que formam gotas nas zonas de altitude fria. Tais gotas, pelo peso, despencam. São as abençoadas chuvas!

Nessa queda, gotas há que encontrando correntes de ar quente se evaporam e liberam elétrons livres fracamente aderidos a elas (às gotas). Dessa formidável atividade — subida em turbilhões de elétrons livres — resulta a formação de nuvens, eletricamente carregadas. Naquelas alturas, essas nuvens, sobrecarregando-se de eletricidade, atingem tensão a milhões de volts. Os (benditos) elétrons, em massa, saltam então para fora das nuvens (indo para outras nuvens ou para a terra). Aí, teremos relâmpagos, trovoadas e aguaceiros.

As famosas explosões solares, que ocorrem a cada onze anos, liberam cargas imensas de elétrons que alcançam a Terra, quando esta se posiciona na direção das citadas explosões eletrônicas. Daí surgem perturbações no campo terrestre (inclusive provocando alterações em todos os sistemas de comunicação).

Essas ocorrências solares desarticulam igualmente as válvulas microscópicas do cérebro humano...

15.4 – Correntes de elétrons mentais

Por analogia elementar temos que as correntes de elétrons mentais igualmente vagueiam por toda a parte indo se agregar nos Espíritos, segundo a lei da sintonia mental. Uma leitura de página qualquer, consulta a este ou àquele livro, eventual conversação, interesse fixado nisso ou aquilo — são fatores pré-disponentes a nos ligar a mentes encarnadas ou desencarnadas — superiores ou inferiores —, que trilhem nessa estrada do pensamento.

Dessas junções teremos “faíscas”, algo semelhantes às das máquinas eletrostáticas.

Assim como a atmosfera terrestre espelha o que vai pelo planeta, igualmente nossa aura estampará o que vai pelo nosso Espírito: pensamentos, tendências e ações.

15.5 – Correntes mentais construtivas

A Natureza age continuamente com harmonia de suas energias. E nós, igualmente, para vivenciarmos esse patamar precisamos ter segurança naquilo que fazemos.

Da nobreza de sentimentos e ações resultará essa segurança.

O poder mental do homem bom é quantificado na razão direta das cargas magnéticas liberadas por sua consciência, na vivência e no labor do bem, possibilitando-lhe grandeza no exercício da sua vocação ou aptidão.

Pesquisador, professor, artista, escritor, trabalhador no lar, assistente social, trabalhador rural, administrador, comerciário, industrial, tratador de animais, desportista — enfim, nas diversas atividades em que se encontra — cada Espírito é convocado pela Lei Divina do Progresso a servir ao bem.

Resumindo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, como proclamou e exemplificou o inesquecível Mestre.

15.6 – Correntes mentais destrutivas

Aparentes “conflitos atmosféricos” entre nuvens pacíficas e condições climáticas desencadeiam as tempestades. Mas na Natureza não há conflito algum, pois sábias são as Leis de Deus e, no caso, a inteligência do homem capacita-o a precaver-se.

Já a alma humana que se sobrecarrega de tensão negativa, do que resulta profundo desequilíbrio para si mesmo e à sua volta, certamente estará negativamente energizada por outras almas no mesmo diapasão mental desequilibrado.

Assim são gerados delitos. E alienações. E processos obsessivos...

Identificado clima mental propício a “tempestades na sua existência” urge ao Espírito dissipar o mais rápido possível tais cargas magnéticas destrutivas: no trabalho digno, na oração, na aproximação com o Evangelho de Jesus — auto-reforma, enfim.

As ondas mentais negativas emitidas por almas afins, encarnadas ou desencarnadas, se aglomeram e respondem, senão por todas, pela maioria das obsessões observadas na face da Terra, de que dão testemunho os multiplicados sofrimentos humanos.

 

CONTINUA... MECANISMOS DA MEDIUNIDADE PARTE 3- BOLETIM DE FEVEREIRO 2012.

FONTE :SOCIEDADE ESPÍRITA ALLAN KARDEC- RIBEIRÃO PRETO/SP

Eurípedes Kühl – Responsável

Rua Monte Alverne, 667 – Ribeirão Preto/SP

 

TOPO DA PÁGINA

FEVEREIRO

 

Dando continuidade à divulgação das sinopses das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier. Seguimos com MECANISMOS DA MEDIUNIDADE- PARTE 3ª - FINAL

A leitura da sinopse não exclui a leitura do livro. Ela tem por finalidade relembrar a quem já leu as obras, determinados pontos importantes. Para aqueles que ainda não conhecem as obras de André Luiz, poderá ser um despertamento para levar à leitura das obras.

 

Título: "MECANISMOS DA MEDIUNIDADE " - (26 capítulos - 188 páginas)

AUTOR: Espírito ANDRÉ LUIZ (pseudônimo espiritual de um consagrado médico que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro)

PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e WALDO VIEIRA (concluída em 1959)

EDIÇÃO: Primeira edição em 1959, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ).

Neste trabalho estamos consultando a 9ª edição/1986. Em 2006 foi lançada a 25ª edição, do 221º ao 225º milheiro de exemplares.

ABERTURA: Registros de Allan Kardec, designados pelo Autor espiritual

PREFÁCIO: Espírito EMMANUEL — Mediunidade.

INTRODUÇÃO: Do próprio Autor Espiritual (ANDRÉ LUIZ) — Ante a Mediunidade.

 

PARTE 3- FINAL ( CONTINUAÇÃO DO CONTEÚDO DOS BOLETINSDE DEZEMBRO 2011 E JANEIRO 2012).

16. FENÔMENO MAGNÉTICO DA VIDA HUMANA

16.1 – Hipnose de palco e hipnose natural

A hipnose observada em episódios públicos, teatrais, expondo reflexo condicionado induzido por alguém a outrem ocorre também no dia-a-dia.

A partir do berço, todos nós nos deixamos influenciar por indução de alguém, sendo essa obediência maquinalmente executada, em maior ou menor intensidade.

16.2 – Centro indutor do lar

Palavras textuais do Autor espiritual: “O lar é o mais vigoroso centro de indução que conhecemos na Terra”. E explana:

- no lar, do berço ao início da educação primária o Espírito, como se em sonolência, recebe e capta informes quanto à conduta para toda a sua existência;

- na escola primária, pelas diversas matérias e pelos ensinamentos dos professores formará seu grau de instrução;

- Espíritos evoluídos, em reencarnando (raridade terrena) espelharão para logo essa condição no ambiente doméstico, fruto de tantas e tantas vivências anteriores, com sacrifícios, zelo e dedicação ao bem;

- na maioria dos reencarnados, porém, o que se nota é que a alma infantil, por determinado período ajusta-se às instruções paternas e maternas, assimilando-lhes a intensidade de corrente mental, vindo praticamente a se constituírem em “médiuns dos genitores”;

- no transcorrer da existência terrena, só mais tarde a verdadeira personalidade do indivíduo emergirá, face os acontecimentos e experiências que vivenciar fora do lar.

16.3 – Outros centros indutores

A infinita bondade do Criador cuida que toda criatura seja permanentemente amparada.

A reencarnação, assim, dá notícia do campo mental estabelecido entre pais e filhos: harmonia no lar é fruto de sintonia; ao contrário, conflitos que não demoram a surgir, evidenciam disparidade de correntes mentais.

Num e noutro caso, não raro a genética é incapaz de justificá-los.

Filhos que inquietam a autoridade dos pais certamente têm assessoria de Espíritos desencarnados, aos quais se filiam em pensamentos, atitudes, tendências.

Contudo, foi para restabelecer a paz e harmonia que as sábias leis do Plano Maior situaram esses familiares no mesmo endereço.

Nessa quadra da vida, importante papel representarão os professores, cuja autoridade moral e competência levarão seus alunos a sintonizarem mentalmente com correntes positivas da paz, do respeito e do amor. Nesse caso, as ondas mentais dos mestres, de maior intensidade, atenuarão o fluxo negativo das dos seus aprendizes; os relapsos perderão a abençoada oportunidade de ganho de luzes íntimas.

Na profissão, ao empós da escola, a vocação falará alto e a alma encontrará os meios naturais para seu progresso, haurindo conselhos dos patrões e colegas mais experientes, ao tempo que exercitará a boa vivência gregária.

16.4 – Todos somos médiuns

Na rota evolutiva de todos os Espíritos estão presentes o reflexo condicionado e a sugestão. Com o crescimento moral há alargamento da visão e cresce proporcionalmente a liberdade, não sem a correspondente responsabilidade pelas escolhas feitas.

Em crescendo, os Espíritos passam a ter maior influência no próximo e no meio em que vivem, daí ser imprescindível não olvidar o cumprimento do dever primordial: evoluir.

A melhora íntima é dinâmica e por isso requer sacrifícios para que a ascensão para Deus se produza, de preferência sem as pausas a comando da ociosidade.

Assim, pela assimilação de forças superiores somos todos médiuns e será de bom tom ante a caridade que o que captarmos seja refletido pelo foco luminoso de energia mental.

16.5 – Perseverança no bem

O bem impõe dedicação. Ideal seria em tempo integral. Hiatos na perseverança do bem, com atalhos em conversação ou atitudes menos dignas remetem à conjunção com correntes mentais similares, invisíveis e quase sempre anônimas. Disso, infelizmente, resultarão processos vampirizantes, quando não doenças “indiagnosticáveis” pela medicina terrena.

Pensamentos e palavras constantemente voltados para veleidades ou injúrias morais, acusações indevidas ou críticas corrosivas, deboche ou crueldade — tudo isso forma liames entre os agentes encarnados e desencarnados de igual jaez moral, com prejuízos de monta para todos eles.

Aquele que persevera no bem, ao contrário, está sempre emitindo princípios de otimismo quanto à vida, ajudando a regeneração a que todos necessitamos, uns mais, outros menos.

16.6 – Gradação dos obsessões

Consciente ou inconscientemente, vezes há que permitimos que nossa aura seja invadida e trespassada por convulsões mentais, daí resultando ações violentas, coléricas. Nesse estado não há como impedir que correntes mentais a se expressarem por ondas do mesmo comprimento, ciclos e intensidade venham céleres recrudescer o quadro obsessivo criado por tamanha e tanta invigilância.

Típico quadro de loucura temporária é esse...

E ninguém poderá eximir-se de algures ter assim procedido.

E a vontade, ferramenta das mais sublimes que Deus dá a todas as criaturas, vê-se desvirtuada, usurpada da sua destinação, do que advêm problemas de largo curso, transformando o ser em médium doente, verdadeiro alienado mental.

17. EFEITOS FÍSICOS

17.1 – Simbioses espirituais

Todos nós somos envolvidos pelo halo de emanações mentais que criamos, o qual é facilmente detectado por Espíritos desencarnados que, em mantendo afinidade com esse tipo de corrente mental, associam-se conosco, sem serem convidados e na maioria dos casos, à nossa revelia...

Já a partir da reencarnação criaturas há que trazem companhias desencarnadas com as quais convivia, ou que com elas sintonizava, caracterizando quadro clássico de hipnotizador e hipnotizado. Na seqüência da existência, considerando que convivem na mesma onda mental, se o encarnado não conseguir ajustamento consigo mesmo e com aquela companhia, podem irromper fenômenos mediúnicos de ordem física.

Nada objeta que a desarticulação física de jovens bulhentos talvez seja uma das expressões disso, a entremostrar que agentes — indutor e passivo — situam-se em patamar evolutivo menos feliz.

Para cessar tais desordens comportamentais, próprias de crianças birrentas, bastam a prece e a repreensão de cunho educativo, e não punitivo, sejam da autoridade paterna, sejam de outra autoridade moral.

Essas manifestações, de todo despropositadas, independem do grau de cultura ou condição social daqueles que a elas se entregam.

17.2 – Médium teleguiado

O reencarnado que tenha tal potencial mediúnico e o coloque à causa do bem, será um doador natural de ectoplasma que, utilizado por Inteligências desencarnadas que o associa a outras categorias de ectoplasmas (espirituais e da Natureza), se prestará à realização dos fenômenos ditos “de materialização” — comprovante tácito da vida espiritual. Para tanto, esse médium contará com o apoio zeloso de um Espírito guardião, que estará com ele pari passu empenhado no progresso humano. O encarnado passa a ser qual médium teleguiado. Espíritos evoluídos, então, permanecerão atentos a ambos e em alguns casos proporcionarão desdobramento ao médium. Sendo o caso de estudos de grupos mediúnicos, na presença desse médium móveis se movimentarão sem que ninguém se lhes toque (telecinésia), ruídos de origem desconhecida serão ouvidos (“raps”) e, culminando, Espíritos tomarão densidade material por algum tempo.

17.3 – Dificuldades do intercâmbio

Tais manifestações não acontecem facilmente, eis que dependendo primordialmente dos recursos do médium, e este nem sempre podendo manter padrão permanente de equilíbrio, as oscilações mentais suas, acopladas às dos demais componentes do grupo mediúnico de estudos, as dificultarão mesmo, por carência de hegemonia mental.

Por isso é que tais reuniões, sobre serem raras, quase sempre quando acontecem não se mantêm, pela ausência da indispensável segurança para o êxito do tentame.

Leve oscilação do médium e ele já não será aquela ferramenta nobre ao propósito edificante: dispendendo pensamentos de ordem financeira ou mesmo afetivas, estará criando formas-pensamento não programadas, contra-indicadas à finalidade do estudo. Nessas ocasiões, Espíritos desequilibrados poderão assumir o emprego das energias deturpadas e causar graves problemas. Aí, o que de início era bom, se esfarela...

17.4 – Médium e assistentes

Assistentes num grupo desses, pensando diferentemente do propósito educativo, causarão embaraço ao sucesso das tarefas de materialização. Da mesma forma que os Espíritos protetores presentes dependem da qualidade da ectoplasmia dispendida pelo médium, este de forma alguma pode dispensar o apoio dos companheiros encarnados que com ele comunguem dos mesmos ideais.

Agora, se tais companheiros estão mais interessados em fenomenologia do que em aprendizado moral, ou se têm expectativa de fatos ligados à sua pessoa, aí então as fraudes emergirão, dando azo a críticos metapsiquistas, os quais, longe de captarem a interferência desequilibrante, bradam o insucesso, qual se estivessem à frente de uma operação matemática de resultados que não batem.

17.5 – Lei do campo mental

Esses críticos afoitos, diante das fraudes, cercadas essas de obscuridades e desacertos, tornam-se defensores da não sobrevivência. Mesmo atendidas todas as suas exigências para a realização de tais reuniões mediúnicas, delas zombam, diminuem os recursos dos médiuns e exigem que os acontecimentos obedeçam à ciência terrena.

Desconhecem eles e grande parte do mundo a Lei do Campo Mental, que gerencia a energia na qual se abrigam os Espíritos, que somente captam as influências com as quais tenham afeição. Dessa equação sobreleva a lei da responsabilidade, segundo a qual cada criatura vive e respira no mundo energético das próprias criações mentais, que se expressam na psicosfera individual de cada um.

Não há inconsciência total em médium algum, nem amnésia cerebral, eis que a consciência não é um autômato, mas sim parâmetro reflexivo das disposições e da vontade de cada Espírito.

17.6 - Futuro dos fenômenos físicos

O Autor espiritual cita que tem conhecimento de que em vários países acontecem significativos fenômenos físicos em determinados agrupamentos de médiuns. Dessas ocorrências, registra, não resultam quaisquer proveitos para a Humanidade, restando tão-somente comprovado o poder mental e a interligação encarnados-desencarnados.

Diz ele: “A ciência humana, porém, caminha na direção do porvir”.

O ectoplasma tem componentes ainda desconhecidos do homem e fica claro, ao se encerrar o capítulo, que as Entidades Angelicais o utilizam em sublimadas tarefas, pelo que os médiuns que o dispendem precisam manter bem alto o plano dessa doação.

NOTA: Decorrido quase meio século desde a primeira edição desta obra, o que se observa é que as reuniões de fenômenos físicos (ditas “de materialização”) rarearam consideravelmente no movimento espírita.

Não obstante, quanto ao ectoplasma, somos de opinião que aguarda maiores estudos e motivação nobre para sua aplicação na Terra, quando então maravilhas inimagináveis poderão acontecer.

* * *

NOTA: Devido à transcendentalidade do tema ectoplasma, inserimos abaixo o artigo elaborado por Eurípedes Kühl:

O ECTOPLASMA

Ouve-se falar no C.E. em “sessões de materialização”, “médiuns de efeitos físicos”, “fenômenos físicos espontâneos”.

Vamos desenvolver algumas considerações a respeito:

Este assunto, que no século passado intrigou tantos pesquisadores, hoje já não freqüenta os laboratórios e mesmo pouco os Centros Espíritas (C.E.), talvez porque a humanidade já evoluiu a ponto de permitir-nos considerar que tais fatos nada mais representaram do que um despertamento que a Espiritualidade Amiga, à época, trouxe para nós (de que a vida continua...). E é importante consignar que as materializações “espoucaram” por toda a Europa logo após a Codificação do Espiritismo, como se os Espíritos quisessem consolidá-lo, literalmente.

A palavra vem do grego: ektós = fora, exterior + plasma = dar uma forma. Quanto à sua aplicação, vem da Metapsíquica e da Parapsicologia, relacionando-se com fenômenos de efeitos físicos, comumente chamados "de materialização", com auxílio de médium.

Os Pesquisadores

Na França, Charles Robert RICHET (1850-1935), cientista, fisiologista e médico, Prêmio Nobel de Fisiologia de 1913, descobriu e denominou o ectoplasma, em processos de materialização.

Ainda na França, outro médico, biólogo, fisiologista e pesquisador - Gustave GELEY (1865-1924), associou-se a RICHET nas pesquisas ao ectoplasma, conseguindo, ambos, provar que ele é uma emanação do corpo do médium, em forma de um plasma leitoso.

RICHET e GELEY não estavam sozinhos nas pesquisas: Sir William CROOKES, físico e químico inglês (1832-1919), membro da Real Sociedade de Ciências de Londres, sendo pesquisador de fenômenos espíritas, também ocupou-se do ectoplasma.

Na Inglaterra, o físico William Jackson CRAWFORD (1870-1920), pesquisador das propriedades do ectoplasma, realizou experiências notáveis a respeito. Percebeu as fortes evidências de que o ectoplasma origina-se nos tecidos físicos, pois estudou uma médium (Srta. Goligher), com auxílio de uma balança, pesando-a antes, durante e após a emissão do ectoplasma. Verificou diminuição do peso da pessoa após a emissão e retorno ao peso original, depois da reabsorção do ectoplasma. Em uma das experiências de emissão de ectoplasma, a balança acusou que a médium conseguiu emitir 23 kg !

Noutro tipo de experiência, partes físicas da Srta. Goligher ficavam como que flácidas após a emissão, enrijecendo-se e voltando ao normal, também ao ser reabsorvida a porção de ectoplasma emitida. Utilizando-se de um dinamômetro suspenso no teto, ligado às pernas da médium verificou, repetidas vezes e sempre com os mesmos resultados, que a tensão no aparelho diminuía, de 1,8 kg para 0,45 kg . ("Mecânica Psíquica", J.W.Crawford, Lake/SP, p. 153).

Na Alemanha, Albert von SCHRENK-NOTZING (1862-1924), médico e pesquisador, dedicando-se à causa espírita, conseguiu a incrível proeza de, em sessões mediúnicas experimentais, recolher porções de ectoplasma, por ele denominado de "teleplasma". Submetendo tal material a exame laboratorial histológico (estudo da formação e composição dos tecidos de seres vivos), em Berlim e Viena, comprovou sua natureza orgânica, isto é, oriunda de seres encarnados.

Em nossos dias, no campo científico, o ectoplasma ainda é tratado com extrema reserva, havendo poucos médicos a pesquisá-lo. Profissionais da Medicina que participaram de algumas experiências recentes com essa substância afirmam que ela, se pesquisada com rigor científico, provavelmente abrirá uma nova era no tratamento de casos considerados de recuperação impossível.

É o caso, por exemplo, de aplicações espíritas que vêm sendo feitas, na terapêutica da reestruturação de tecidos vivos afetados ou destruídos pelo câncer. Ouçamos o sempre lembrado professor J.Herculano Pires: (...) "Pietro Ubaldi, mesmo não sendo médium nem espírita, admitia em suas obras que o ectoplasma podia ser uma nova maneira natural de reprodução — um processo biológico diferente dos conhecidos, eventualmente substituto da atual forma de reprodução sexual" (PIRES, J.Herculano, em “Agonia das Religiões”, 1989, Ed.Paidéia, p. 94).

Registramos a opinião de Ubaldi, demonstrando que não apenas pesquisadores e espíritas, mas outras pessoas, com a mesma seriedade, num tempo não muito distante ocuparam-se do tema ectoplasma.

Características e particularidades

O ectoplasma, substância ainda quase desconhecida e pouco pesquisada, teve nos fins do Séc. XIX o período de maiores anotações. Naquele final de século, como já citamos, poderosos médiuns de efeitos físicos assombraram os homens das Ciências, produzindo incríveis materializações.

Talvez o mais famoso desses casos tenha sido aquele que foi controlado por Sir William CROOKES, referente às inúmeras materializações do Espírito "Katie King", com auxílio da médium Florence Cook.

Crookes realizou sessões de materialização nas quais tornava-se tangível o Espírito que se autodenominou Katie King, indiana, que afirmou ter vivido alguns séculos antes. As cartas-artigos de Crookes foram publicadas na Inglaterra nos jornais espiritualistas (ex.: "Quartely Journal of Science”, de janeiro de 1874).

Nessas memórias, Crookes cita que Katie chegou a ficar por duas horas materializada, conversando com os presentes, deixando-se tocar. Crookes, respeitosamente, solicitou-lhe permissão para tocá-la, tendo auscultado seu coração, que batia num ritmo menor do que o da médium Florence Cook, fornecedora do ectoplasma.

Dispensável registrar que o emérito cientista cercou-se dos mais rigorosos cuidados, de forma a evitar fraude ou mistificação. Um desses cuidados, prova definitiva, foi o fato de trancar a médium numa sala anexa e o Espírito Katie materializar-se na outra. Outra prova, cabal também, foi o fato de Katie haver se materializado ao lado da médium, deixando fotografar-se. Só mais uma prova: Crookes cortou, com permissão de Katie, um cacho da cabeleira dela; Katie, ela própria, tomou uma tesoura e cortou grande parte dos seus cabelos, pedaços do seu vestido e do véu e distribuiu-os aos presentes; logo a seguir, mostrou os buracos do vestido à claridade da luz e deu uma pancada em cima da parte cortada, que instantaneamente se recompôs.

O ectoplasma que pode se apresentar em múltiplos aspectos, sendo normalmente refratário à luz comum, suporta luzes do vermelho e infravermelho.

A emissão e liberação do ectoplasma se faz, na maioria dos casos, pelos orifícios naturais do corpo do médium: ouvidos, nariz, boca, orifícios da pele, etc.

São várias as particularidades do ectoplasma:

a. Cores: podem variar: acinzentada, branca, amarelada, malhada ou negra;

b. Estados: tangível, amorfo, floculoso, sólido; de início é difuso, nebuloso, qual tênue fumaça branca, passando, às vezes, à consistência semilíquida ou massa;

c. Ao tato: pode impressionar desde a sensação de teia de aranha até à forma sólida de um objeto;

d. Comando: a característica fundamental do ectoplasma é que ele é dócil ao comando mental do médium, além dos Espíritos e pessoas presentes à reunião onde se dá sua produção;

e. Produção e reversão: todos podemos produzir ectoplasma. Contudo, pessoas há que o fazem em abundância, sendo chamadas de "médiuns de efeitos físicos". Reverte à origem (corpo do médium que o produziu), com a mesma facilidade com que foi emitido.

O Ectoplasma e o Espiritismo

Kardec, referindo-se em particular às aparições tangíveis, em "O Livro dos Médiuns", Cap. VI, nº 109, registra que o perispírito é o princípio de todas as manifestações até então tidas à conta de maravilhosas. Referindo-se em particular às características e propriedades do hoje chamado ectoplasma, denominou-o, em "A Gênese", Cap. XIV, nº 35 e 36, de "fluido perispirítico", ou, segundo outros tradutores, de "fluido perispirital".

Posteriormente a Kardec os Espíritos deixam entrever que o ectoplasma, como "produto acabado", isto é, pronto para ser utilizado, em reuniões de materializações ou de outros objetivos (terapêutica?), é composto por outras substâncias, além das orgânicas, do médium.

Vejamos os informes trazidos pelo Espírito André Luiz, ao descrever, com minúcias , uma reunião de materialização, segundo visão do Plano Maior:

- ao ectoplasma utilizado nas sessões de ectoplasmia (materializações), são acrescentados potencial energético de Espíritos Siderais, e outros elementos, denominados "recursos da natureza".

- dessa forma, o fenômeno da materialização, para alcançar êxito, necessita da energia de três elementos essenciais:

1. Energias sutis, emanadas dos Espíritos Protetores;

2. Energias do médium (ectoplasma) e eventualmente de outros participantes da reunião; aqui, o ectoplasma do médium é tratado pelo orientador espiritual como "força nervosa, fluindo abundante, qual neblina espessa e leitosa... sendo matéria plástica profundamente sensível às nossas criações mentais";

3. Energias colhidas de elementos da Natureza terrestre (águas, plantas, etc.).

Ainda do mesmo autor espiritual, encontrará o leitor outra narração de sessões de ectoplasmia , onde é detalhado como o médium que emite o ectoplasma se desdobra, sob influxo espiritual protetor. Na seqüência, há materialização de flores, que são distribuídas aos médiuns componentes da sessão.

Porém, das mais vibrantes notícias sobre o ectoplasma, podemos encontrar na narração de fatos estupendos, dentre os quais o de três crianças (irmãs da médium de efeitos físicos Ofélia Corrales, na República de São José da Costa Rica): estando o local da reunião mediúnica com todas as portas trancadas, as três crianças foram transportadas para um casinha próxima; a seguir, repetiu-se a mesma operação, em sentido inverso — portas trancadas, em ambos os ambientes, eis que as crianças foram trazidas de volta!

Na ficção tivemos a série de TV “Jornada nas Estrelas”, criada em 1966 por Gene Rodenberry, na qual os tripulantes da nave “Enterprise” passavam por esse fenômeno de desmaterialização num local, seguido de transporte e materialização em outro...

Na longínqua Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico, as grandes estátuas de pedra, denominadas “Moais”, segundo lendas locais, teriam sido transportadas pela força do pensamento de um sacerdote. Os blocos de rocha, de uma pedreira afastada quilômetros de onde estão, vinham “pelo ar”...

Não menos impressionantes são os relatos de lousas que vão de uma sala a outra, com portas e janelas fechadas e plantas que são geradas, no próprio ambiente da reunião mediúnica, a partir de outras plantas, chamadas de plantas-médiuns, já que elas é que possibilitaram o nascimento (materialização) de outras, havendo até casos de plantas com frutos!

É a isso que se denomina “aporte”, grosso modo.

“Aporte”, na linguagem parapsicológica, é o aparecimento súbito de objetos, animais ou pessoas, num determinado ambiente, onde esteja um médium de efeitos físicos. Johann Karl Friedrich Zöllner, astrônomo e físico alemão, professor de Astronomia e Física na Universidade de Leipzig, membro da Real Sociedade de Londres, da Imperial Academia de Ciências Físicas e Naturais em Moscou, da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos de Paris e da Associação Britânica Espiritualista de Londres, membro honorário da Associação de Ciências Físicas em Frankfurt-on-Main (1834-1882), brilhante cientista, imaginou esse mesmo tipo de transporte através da Quarta Dimensão.

Uma outra hipótese seria a desmaterialização dos elementos citados e rematerialização em outro lugar.

Obs: Citamos o currículo do Dr Zöllner para que seja aquilatado o grau de interesse científico do tema.

Considerações gerais

O ectoplasma foi tema imperante no final do século XIX, quando homens responsáveis e dedicados pesquisaram-no à exaustão, deixando as portas abertas para os vindouros. Por não disporem de instrumental mais adequado, suas experiências restringiram-se a fenômenos de materialização, junto a médiuns especialistas e exames laboratoriais com os recursos de um século atrás...

Como podemos deduzir o ectoplasma é mais uma bênção, das incontáveis que nos concede o Criador. Seu potencial é inimaginável.

Causa perplexidade verificar que o ectoplasma não passeia pelos laboratórios de pesquisas. Herculano Pires noticia que um "conhecido físico paulista, professor universitário, opinou ser possível o fenômeno da materialização, ante os conhecimentos atuais da Física, mas que, para realizar-se seria necessário uma quantidade de energia só possível de obter-se num período de duzentos anos. No entanto, como ficou demonstrado nas experiências científicas do Espiritismo (e podendo voltar a ser comprovado desde que o Plano Espiritual o permita, mediante justificada razão), o fenômeno de materialização é produzido em poucos minutos. Além do mais, houve erro de classificação científica por parte daquele cientista (o físico paulista), já que a materialização não é um fenômeno físico, mas um fenômeno fisiológico".

Também causa tristeza notarmos que não há interesse científico sobre essa transcendental questão, contudo, como "a Natureza não dá saltos", cremos que no tempo certo o homem despertará tal atenção. E essa será mais uma das valiosas contribuições que o Espiritismo prestará à Terra, vez que as possibilidades de emprego do ectoplasma ultrapassam todos os vôos da imaginação: desde transporte de pessoas/objetos, desmaterializando-os na origem e rematerializando-os no destino, até à cura de patologias consideradas fatais. (Eurípedes Kühl)

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---Voltando ao livro----

18. EFEITOS INTELECTUAIS

18.1 – Nas ocorrências cotidianas

Examinando-se o hábito, por exemplo, de um homem ler diariamente o jornal e ali buscar notas comerciais do seu interesse, encontraremos o reflexo condicionado específico cristalizado nessa conduta. Para prosperar algum projeto decorrente dessa leitura buscará o auxílio de outrem (colega, amigo ou parente). O ouvinte, sintonizando com esse homem, emitirá raios mentais análogos ao que este também emite. Juntos, demandarão providências para o êxito de eventual plano, traçado a dois, mas de ideal uno.

Na hipótese desse leitor diário interessar-se por ocorrências policiais, dentre as várias registradas, elegerá a mais grave e nela concentrará sua corrente mental, para logo atraindo outras mentes que “pensam” como ele. Ele e os colegas invisíveis plasmarão formas-pensamento que se espraiarão pela psicosfera, indo juntar-se a outras tantas que nela vagueiam e se prestam a essa infeliz junção. Resultados catastróficos advêm: dessa triste nuvem pairando sobre mentes desavisadas, que na primeira oportunidade eclodirão fatos tão ou mais violentos do que aquele que deu origem a tudo.

Linchamentos (justiçamento coletivo e desvairado, ao arrepio de qualquer civilidade), depredações coletivas, vandalismos de conseqüências graves, são decorrentes dessa perturbada associação de mentes, que nem mesmo se conhecem...

Mais tarde, um a um responderá, à consciência, pela sua parcela de culpa pelos danos.

18.2 – Mediunidade ignorada

Sexualidade irresponsável, mentiras, críticas contumazes e outros comportamentos infelizes expõem reflexo condicionado específico. Uma calúnia ou uma suspeita lançada por alguém de alguma autoridade levará muitos, que com ele comungue, a dilatarem a divulgação do fato citado, mesmo não comprovado. Navegando todos esses tais na mesma onda mental, serão responsabilizados pelo Controle Divino, a se manifestar pela consciência de cada um, expiatoriamente cuidando pela eliminação de tal procedimento.

Essa a mediunidade ignorada, tida à conta de metapsíquica subjetiva.

É assim que no mundo encontram-se palestrantes a propalarem verdades ou mentiras, conselhos ou perjúrios, sempre secundados por Espíritos que com eles sintonizem.

Em muitos casos, tal sintonia antecede à própria reencarnação desses expositores.

18.3 – Mediunidade disciplinada

Quando um médium se dispõe a trilhar por essa abençoada faculdade, com equilíbrio e propósitos no bem, segundo proclama e recomenda o Espiritismo, encontrará no grupo a que se filie as bênçãos da prece. Sintonizando com os Espíritos, particularmente com aquele que melhor se assemelhe à sua onda mental, verá eclodir a mediunidade a bordo de reflexo condicionado específico. Duvidará, a princípio, da autenticidade do apoio invisível, julgando que os pensamentos que capta são seus mesmos. A prece, como sempre, o libertará da dúvida, para logo se dar conta de que as idéias não lhe pertencem.

Volta o Autor espiritual a citar a sublimidade da Lei do Campo Mental, que preside a responsabilidade de cada Espírito, diante do seu programa evolutivo.

18.4 – Passividade mediúnica

A persistência no estudo, assiduidade e pontualidade nas obrigações junto ao grupo espiritual ao qual pertence, a par do pensamento reto à causa do bem, carrearão atendimento do Plano Maior às preces do médium hesitante e dissipará suas dúvidas.

Espíritos bondosos e especializados promoverão determinadas alterações cerebrais nesse médium estudioso e abnegado, fazendo com que ele cada vez mais aperfeiçoe as disposições mediúnicas com as quais está equipado, possibilitando que Espíritos nobres se aproximem dele.

Teremos assim os médiuns psicógrafos e os psicofônicos, os videntes e os intuitivos, os inspirados e os de premonição — todos desse patamar — reproduzindo obras e lições de valor.

18.5 – Conjugação de ondas

A conjugação de ondas mentais está presente em todo exercício mediúnico.

Na prece, por exemplo, o reflexo condicionado do médium dedicado aos atos doutrinários responde pelo sucesso ou dificuldade na interpretação do que lhe seja passado pelo Espírito visitante, elevado. A filtragem mediúnica quase sempre prejudica o teor da mensagem, eis que o médium não tem bagagem suficiente para captar e reproduzir com justeza as sublimidades que lhe são repassadas. Mesmo no caso de sintonia efetiva entre o visitante espiritual e o médium, este “interpretará” o valoroso conteúdo à sua moda, expondo-o segundo seu grau de conhecimentos.

18.6 – Clarividência e clauriaudiência

As possibilidades visuais e auditivas do médium, a se exprimirem por raios mentais conjugados entre ele e o Espírito comunicante, serão captadas diretamente na sua forma integral. No entanto, rareando no primeiro recursos ultra-sensoriais, ele as exteriorizará segundo a graduação do seu campo íntimo de captação e interpretação.

Os médiuns videntes e audientes trazem na intimidade cerebral seus centros de visão e audição aptos a receber o que lhes seja repassado do plano espiritual, em termos de imagem e som, qual espelho ou caixa acústica.

19. IDEOPLASTIA

19.1 – No sono provocado

Ideoplastia é a materialização do pensamento, na visão íntima, podendo ser duradoura.

Encarnados e desencarnados podem integralizá-la.

No caso do magnetizador e magnetizado, por exemplo, sugestão feita por aquele, de imagem e som, em local definido, desencadeará neste a formação mental do quadro, som e endereços sugeridos. Tão forte é essa reflexão que um espelho colocado à frente do hipnotizado lhe mostrará cópia fiel do que mentalmente vê... Não há nisso alucinação, devaneio ou ilusão: a cena visualizada é real, pois quem a criou foi o próprio “sujet”.

Se num acontecimento mediúnico o doutrinador utiliza-se do princípio da ideoplastia com presunção, estará interferindo negativamente na ação de Espíritos protetores, prejudicando assim o programa de apoio e progresso de Espíritos necessitados.

19.2 – Nos fenômenos físicos

Nas reuniões destinadas a fenômenos físicos, ocorrendo manifestação indevida (reclamação) de algum dos presentes, via de regra isso desencadeia no médium de ectoplasmia afastamento mental do que lhe estava sendo passado pela entidade espiritual e aproximação dessa nova “ordem”. O que acontece é que, para resguardar a integridade do médium e dos demais componentes do grupo de pesquisadores, nesses casos os Espíritos bondosos que se prestavam a auxiliar a consecução do fenômeno programado se retraem e mantém salvaguarda naquele ambiente.

19.3 – Interferências ideoplásticas

Suponhamos que numa reunião de efeitos físicos bem controlada, o orientador desencarnado esteja em ação para materializar um braço, utilizando para tanto os recursos doados pelo médium de ectoplasmia. Se um dos encarnados, incautamente tocar na forma e exigir, por exemplo, que aquele braço passe a exibir uma pulseira, tal interferência faz com que a ligação médium-orientador se desfaça, sendo substituída agora pela médium-pesquisador.

Nesse ponto, o trabalho está prejudicado, pois os Amigos do além já não mais contam com o apoio dos encarnados. Não raro, em circunstâncias desse jaez, o médium que fornece o ectoplasma fica viciado a atender a pedidos chulos, com evidente desmoronamento da qualidade dos resultados, de todo impróprios.

19.4 – Mediunidade e responsabilidade

Reuniões dedicadas à ectoplasmia não podem se transformar em sessões de atendimento a pedidos pessoais. É certo que os Espíritos atendentes que ali comparecerem não são nobres nem interessados no progresso moral, próprio ou dos presentes. Aí, mau grado os recursos que evidentemente o médium especializado possui e doa, são eles desbaratados e descambam para a irresponsabilidade.

19.5 – Em outros fenômenos

Em algumas reuniões mediúnicas não é raro que a ideoplastia de um ou outro médium se manifeste e ele descreva para os demais o que mentalmente vê.

Já de início, tais reuniões devem ter motivação nobre para que Espíritos amigos ali compareçam e possam, de fato, transmitir imagens construtivas e até mesmo fotografias de pessoas, para os receptores. Esperam os amigos invisíveis que de alguma forma tais fotografias transcendentais tragam lições e proveito moral para os presentes.

O que não pode nem deve acontecer é o médium de efeitos intelectuais se fixar em determinada imagem ideoplástica ou fotográfica e ficar a repeti-la, por longo curso, já que não tardará e esse médium passará a considerá-las como situações e pessoas reais.

19.6 – Na mediunidade aviltada

Desde tempos imemoriais a ideoplastia se apresenta no mundo. No caso da prática da magia, por exemplo, onde a mediunidade é aviltada e onde só comparecem Espíritos irresponsáveis, os médiuns que a isso se prestam se transformam em prisioneiros deles.

Tais médiuns, concordes com tais práticas, expelem raios mentais decorrentes dos quadros menos dignos que mentalmente vislumbram e que lhes causam terror.

Entregando-se a tais despautérios morais não tardam a lhes sofrer as danosas conseqüências. Utilizassem os mesmos meios em atividades nobres e recolheriam, com toda certeza, benefícios incalculáveis...

20. PSICOMETRIA

20.1 – Mecanismo da psicometria

Médium psicômetra é aquele que percebe o lado oculto de um ambiente e vislumbra a história de um objeto ou documento (impressões e lembranças daqueles que de alguma forma tenham ligações com eles).

Trata-se de percepção avançada, do tipo “circuito fechado”, pelo qual os sentidos físicos se deslocam, no tempo e no espaço, conquanto o médium esteja em vigília.

O Espírito do médium de psicometria tem poderes psíquicos, que de alguma forma se assemelham ao hipnotismo comum, quando o hipnotizado liberta a sensibilidade e motricidade, realizando coisas anormais, tais como “anestesia hipnótica” em alguma parte do próprio corpo.

20.2 – Psicometria e reflexo condicionado

Pessoas bastante sensíveis, pela prece ou concentração mental, deslocam a força nervosa de uma parte do seu corpo físico e perispírito, o que lhes possibilita contato com outros níveis vibratórios, de onde extraem suas observações psicométricas.

Praticamente todos temos essa possibilidade, conquanto na maioria esteja latente, em potencial, raramente se expressando. Uma dessas comprovações é a sensação de simpatia ou antipatia que nos acomete ante a presença de alguém que acabamos de conhecer. Esse alguém, seja ou não do nosso passado existencial, com certeza vivencia em regime de correntes mentais pró ou contra às nossas.

20.3 – Função do psicômetra

O psicômetra tem a capacidade de, em alguns casos, alterar sua visão e audição, como que lançando a distâncias e épocas passadas tais potencialidades, que se deslocam em transes rápidos a bordo do próprio perispírito-viajor e testemunha o que lá vê e ouve.

20.4 – Interdependência do médium

Em qualquer atividade mediúnica psicométrica o médium não prescinde da companhia de outrem, de sintonia plena com ele. Havendo desarmonia mental entre o grupo, certamente o psicômetra sofrerá influências que invalidarão suas possibilidades.

Aqui, as formas-pensamento agem com maior energia, se considerarmos que o objeto submetido à análise e apreciação do médium, de per si já traz muitas delas encerradas em sua história. É de se admitir que quando uma pessoa submete ao médium um determinado objeto que pertenceu a um antepassado dela, já edificou formas-pensamento de lembranças que tenha em sua memória, consciente ou inconsciente.

20.5 – Caso de desaparecimento

Se alguém desaparece e um objeto seu é levado a um psicômetra, este poderá vislumbrar a realidade, como por exemplo, que o desaparecido morreu e seus despojos estão em local que informa com exatidão.

Nesse caso, amigos espirituais do desaparecido e dos seus familiares, captando todos os momentos de angústia destes, aproximam-se do médium e adentram-lhe na onda mental, dando detalhes fisionômicos e de como aconteceu a desencarnação.

20.6 – Agentes induzidos

O local e o objeto psicometrado agem como francos mediadores entre os dois planos da vida, o material e o espiritual.

Quando o médium recebe pedido de busca ou informações sobre esse ou aquele objeto, se ele e quem o consulta não estiverem imbuídos de finalidades construtivas, por certo o tentame fracassará, pois a mediação será administrada por entidades menos felizes, que presto se apoderarão do comando da pesquisa.

Fica evidente que na psicometria a matéria registra impressões e vibrações nela impressas pelo contato com os homens ou com seres inferiores da Natureza.

Captar tais registros é ação mediúnica que enquadra a atividade psicométrica, que se apresentam na radiestesia (sensibilidade às radiações – caso da varinha que se move sob ação do médium de percepção de água, por exemplo) e na telestesia (percepção à distância de fenômenos, coisas ou condições).

21. DESDOBRAMENTO

21.1 – No sono artificial

Na hipnose profunda, do tórax do hipnotizado escapa “um vapor branquicento”, que se condensa à sua esquerda, tomando sua forma, isto é, reproduzindo duplicata do seu corpo, ligeiramente dilatado. Nesse estado do transe o “sujet” duplicado poderá deslocar-se a grandes distância que tenham sido ordenadas e de lá recolher notícias e informes diversos. Essa duplicata estará ligada ao corpo físico por fio finíssimo, qual se fora onda de radar, que vence enorme distância e retorna à origem intacta.

A circulação sangüínea não cessa no complexo orgânico e da mesma forma a onda mental circula permanentemente no Espírito. Quando o homem dorme seu cérebro descansa, mas o coração segue em pleno funcionamento, ao tempo que o pensamento não deixa de vibrar no cérebro perispirítico.

21.2 – No sono natural

A maioria das criaturas humanas, ao dormir, com o Espírito parcialmente emancipado da matéria, busca a repetência da satisfação do que já lhe foi agradável ou espera encontrar o objeto do seu desejo. Nessas circunstâncias, esse Espírito não vai a distâncias, permanecendo próximo ao corpo físico em repouso. Suas ondas mentais ofertam-lhe a satisfação buscada, mas não raro o organismo refletirá desarranjos, fruto da desvirtuação do emprego das energias, que deveriam ser de refazimento. E mais: terá remorsos, na consciência, dessas ações injuriosas.

21.3 – Sono e sonho

O homem pouco evoluído, assim, aproveita o sono apenas para descanso do físico e sonhos fotografam apenas seu limitado mundo mental e as afetividades elementares.

No animal, sua incipiente onda mental se mostra fraca e gira em torno de atos físicos.

No desdobramento pelo sono (hipnose natural) o reflexo condicionado de cada homem o conduzirá ao local onde situa seus interesses. Assim é que o agricultor visitará perispiritualmente sua plantação, o artista a obra na qual está empenhado, a mãe irá ter com os filhos, o criminoso o local onde delinqüiu.

Naturalmente, haverá o consórcio desse Espírito com outros, afins. Sua onda mental criará formas-pensamento espelhando o que pensam fixamente, mas ao acordar pouca identidade terão suas lembranças com aquilo que viram e vivenciaram.

Assim está a maioria dos homens na face da Terra...

21.4 – Concentração e desdobramento

Homens com motivação nobre do que fazem, ao dormirem, encontrarão seguro apoio de desencarnados, tanto quanto os de mau procedimento também terão assessoria infeliz.

O desdobramento no sono comum conduz o Espírito ao endereço dos seus desejos. Um escritor bem intencionado produzirá escritos com idéias construtivas, ao passo que um outro, promíscuo, ofertará obras infelizes, desestruturadoras das emoções de eventuais leitores.

21.5 – Inspiração e desdobramento

Dormindo, a onda mental de cada homem cuida para que no chamado “sono ativo” fiquem registradas no cérebro as impressões do Espírito e simultaneamente desliga a mente dos acontecimentos orgânicos, agora no “sono passivo”.

É assim que esse Espírito sintonizará ou não com os desencarnados afins.

Caso positivo, recebendo deles instruções, ao despertar as trará como impressões, como inspiração e não como efetivamente lhe foram dadas.

Esse é o mecanismo pelo qual os desencarnados atendem aos rogos que, feitos na vigília, logram deferimento direto no desdobramento do sono.

(Notáveis compositores musicais têm notícia biográfica de que despertaram em meio à madrugada e avidamente registraram “sonhos” mostrando-lhes peças inteiras...).

21.6 – Desdobramento e mediunidade

É pelo mecanismo descrito anteriormente que criaturas bondosas e desprendidas da materialidade, ao dormirem são levadas a páramos celestiais, de onde trazem bênçãos á Humanidade, na forma de instruções valiosas ao bem comum. Místicos fervorosos e abnegados, tanto quanto profetas, são exemplo disso.

Os nobres benfeitores que alcançam tal condição de elevação mental reúnem méritos resultantes da boa vontade e da motivação pelo progresso humano. Nunca se esquecem de estudar sempre, de forma a captar, entender e bem traduzir os ensinos que lhes são repassados pelas entidades elevadas.

22. MEDIUNIDADE CURATIVA

22.1 – Mente e psicossoma

A maravilha do corpo humano assemelha-se a um templo da alma, formado por bilhões de células, as quais, distribuídas por diversos órgãos, interligam-se no conjunto que garante a vida física, conquanto tenham funcionamento próprio, diferentes entre eles.

O cérebro age como gerente dessa grande “instituição”, expedindo comando mental aos órgãos, de forma a mantê-los conjuntamente em funcionamento equilibrado.

A vontade — ferramenta divina pela qual o Espírito dirige seu destino — responde pelo tipo de instruções mentais que cada órgão recebe, com o conseqüente estado de saúde ou de enfermidade, nessa ou aquela província do corpo humano.

A alimentação garante o aporte de energias necessárias para o corpo, através a bênção incalculável dos inúmeros automatismos biológicos do metabolismo físico (absorção-excreção), recebidos ao longo da evolução, a partir da criação do P.I. (Princípio Inteligente).

As condições mentais de cada homem respondem pelo bom ou mau aproveitamento dos alimentos ingeridos, com presença ou ausência dos elementos de defesa orgânica.

22.2 – Sangue e fluidoterapia

No sangue estão as energias físicas, as quais constituem reflexo da energia que circula no perispírito. Já ao respirarmos nossa mente capta energias do fluido cósmico e é pelos centros perispiríticos, com ação nos correspondentes órgãos físicos, que o sangue produz numerosa gama de hemáceas (corpúsculos, glóbulos, etc.), congregando-as e distribuindo-as aos pontos adequados, particularmente baço, medula óssea, fígado e glânglios e demais órgãos.

Saúde ou doença são reflexo de bons ou maus pensamentos e atos, pois é pela consciência profunda que o organismo tem ou não imunidade patogênica.

Notável registrar que assim como há o hipnotismo da mente, com maior expressão os elementos vitais podem igualmente serem magnetizados a benefício do físico.

22.3 – Médium e passista

O médium de cura tem a responsabilidade de ser integralmente fraternal.

O médium passista, no geral, bem executará sua tarefa de assistir a enfermos desde que se mantenha como fiel intérprete dos Espíritos protetores. Para tanto, necessário se faz que procure obter conhecimentos elementares do corpo humano e que sua mente esteja isenta de pensamentos deletérios. Ao atender a um enfermo, conveniente será que se porte com simplicidade e humildade, o que deixará o atendido mais receptivo.

Quanto mais culto, mais condições psicológicas terá de bem desempenhar o socorro, por captar com maior fidelidade as instruções repassadas pelos Espíritos abnegados que dele se servem para a caridade. Dessa forma, suas palavras ao doente despertarão nele condições da própria cura.

22.4 – Mecanismo do passe

O passista, diante do paciente, constitui-se em representante do Benfeitor espiritual.

Despertando a confiança do atendido, entre eles ocorre a ligação mental. Aí, o passista haure bênçãos do Plano Maior e as transfere ao enfermo, que as capta e utiliza, deflagrando processos de reparação ou renovação orgânicas, através do sangue.

Tal atendimento, em sendo perseverante, culminará com o êxito do objetivo buscado.

22.5 – Vontade do paciente

As bênçãos do passe, o qual geralmente age pelo processo de transfusão de energias psicossomáticas (energias espirituais acopladas à energia física do passista), tanto maior serão qual seja o nível de aceitação, por parte do atendido.

E ele, paciente, recebendo as energias que lhe são dispensadas, dirigirá sua onda mental de restauração da saúde como ordem às províncias injuriadas, cuja coletividade celular obedecerá a esse comando, num processo abençoado e sublime de tráfego mental.

22.6 – Passe e oração

O passe não tem qualquer contra-indicação e pode ser ministrado em qualquer caso de enfermidade, quaisquer que sejam as carências do paciente, crianças ou pessoas idosas. Só no caso de enfermos com limitações cerebrais é que os resultados do passe diminuem o nível do sucesso.

Em qualquer situação, porém, o passista deverá ligar-se em preces ao Plano Espiritual, dispondo-se a ser fiel ferramenta da Caridade Divina, sempre atuante a benefício de qualquer que seja o estado de alguém com problemas.

23. ANIMISMO

23.1 – Mediunidade e animismo

Quando um médium está em atividade mediúnica, vez por outra produz, por conta própria, consciente ou inconscientemente, fenômenos diversos: efeitos físicos ou intelectuais. E isso, estando realmente desdobrado perispiritualmente...

Diante de fatos dessa natureza e desconhecendo o processo anímico, críticos do Espiritismo optaram pela negação da mediunidade, excluindo a ação de Espíritos desencarnados, aludindo que “a força nervosa” seria a responsável por todos os sucessos produzidos pelos médiuns.

Tais críticas não procedem, vez que médiuns iniciantes podem mesmo, vez por outra, operar animicamente, o que de per si já expõe apreciável sensibilidade. Ademais, esses acontecimentos não são a maioria, não representam a tônica das reuniões mediúnicas e nem colocam o Espírito do médium em antagonismo com os desencarnados.

23.2 – Semelhanças das criaturas

Houvesse incompatibilidade evolutiva entre encarnados e desencarnados, inexistiria a mediunidade. Mas, na verdade, uns e outros são peregrinos da mesma estrada, em busca da auto-reforma. Autorizado pela Sábia Lei a retornar à esfera física, o Espírito reencarnante consubstancia no feto todo o acervo das potencialidades que amealhou ao longo das vidas passadas; depois, ao concluir a etapa orgânica, esse Espírito levará para o Plano Espiritual aquele mesmo acervo, acrescido do que tenha adquirido.

É assim que o médium, em certos momentos, desdobrando-se, age como se Espírito desencarnado fosse, ou ainda, reproduz o que um ou outro Espírito lhe repasse.

Voltamos a citar os faquires, que se desdobrando, produzem fenômenos anormais.

23.3 – Obsessão e animismo

Qual se dá nos acontecimentos da auto-hipnose, pessoas há que procedem de maneira totalmente diversa da sua normalidade, presas que se tornam de mentes desencarnadas infelizes e poderosas, inimigas ou zombeteiras: trazem a essas pessoas lembranças desagradáveis e fixam-nas nas suas mentes, de todo indefesas.

Quem veja esses médiuns, geralmente em ação na reunião mediúnica, em diagnóstico que só pode caracterizar desconhecimento e pressa afirmará tratar-se de entidade infeliz comunicante, quando, na verdade, são apenas reminiscências induzidas, aí sim, por Espíritos ignorantes.

23.4 – Animismo e hipnose

Numa hipotética regressão de memória induzida, na qual o magnetizador fixasse o paciente numa determinada faixa do passado, impelindo-o a lá permanecer, eis aí o que acontece nos casos de animismo, com a diferença que enquanto dura a manifestação, o “sujet”, ou médium, permanece mesmo lá no palco daquilo que relata e que ele vivenciou, só que alude ser a criatura que lhe tenha sido sugerida.

Alienados mentais, em processos dolorosos, palmilham por essa triste estrada, comportando-se como se fossem outrem, quando na verdade representam a realidade mental própria a que por invigilância se submeteram sob agentes menos dignos.

23.5 - Desobsessão e animismo

Médiuns que manifestem tais processos carecem de bondade por parte dos demais companheiros do grupo, com esclarecimentos e socorro, o que lhes reequilibra a onda mental, com reflexos positivos também nas entidades desencarnadas infelizes que os estejam induzindo a assim proceder.

Esses companheiros devem ser tratados à mesma maneira dos visitantes espirituais necessitados que comparecem à reunião mediúnica, isto é, com fraternidade e paciência, pois o Centro Espírita, enquanto escola, tem os Espíritos como alunos, encarnados ou desencarnados.

23.6 – Animismo e criminalidade

Criminosos e internos de hospícios, muitos deles, senão todos, são Espíritos em recidiva de procedimentos equivocados, que em determinados momentos da existência terrena emergirão abruptamente, eliminando o freio da razão para impedir tal repetência, já verificada em vidas anteriores.

Todos trazemos reflexos condicionados de vidas passadas e se não aproveitamos a reencarnação para eliminar os negativos, difícil evitar que nossa mente, negativamente condicionada, impeça a reincidência.

Grande parte dos conflitos, maiores ou menores que ocorrem no mundo, encontram nessa sistemática de predisposições mórbidas o seu fulcro gerador.

A Doutrina dos Espíritos, descortinando à análise o passado, justifica o presente e predispõe o futuro, motivo pelo qual é tarefa impostergável e intransferível do espírita que se depare com tais desequilibrados acordá-los para as claridades da Vida Maior.

24. OBSESSÃO

24.1 – Pensamento e obsessão

Obsessão e mediunidade andam parelha, em todos os recantos do mundo, porque o homem está sempre pensando e com isso emitindo ondas mentais que se encontram com outras tantas, similares em amplitude e intensidade, de outros homens.

O pensamento age por ação, mas também por reação, daí que o psiquismo de cada um é decorrente do teor do que pensa: bons pensamentos, equilíbrio mental e saúde; maus, desarmonia íntima, enfermidades e pior, perispírito com desestruturações múltiplas.

Alcançando de início o cérebro, tais desajustes promovem alucinações e estados mentais mórbidos.

24.2 – Perturbações morais

Todos aqueles que se afastam do roteiro do bem, passando a palmilhar por descaminhos que produzem o mal, cedo ou tarde atrairão desarmonia da mente, para si e para os que se lhes afinizem, passando uns e outros a responderem, solidariamente, por vasta gama de doenças catalogadas pela Psiquiatria. Entre essas, modo geral, as psicopatias, distúrbios de atenção e afetividade, esquizofrenias, fobias, neuroses, psicoses e mais um rol de outras, do mesmo jaez.

Em desencarnando, tais criaturas, fixadas em tantos desencontros, para logo terão seu corpo perispiritual seriamente afetado, reflexo do mau e repetitivo procedimento. Nessas circunstâncias, quando retornarem à esfera física, em nova existência terrena, trarão cérebro injuriado e deficitário, sem especificação de tempo para o reencontro do equilíbrio.

24.3 – Zonas purgatoriais

Zonas purgatoriais são o endereço certo no Plano Espiritual para aqueles que arrojam de si todo tipo de pensamento deletério, quase que permanentemente, onde padecerão por largo tempo condições infelizes, majoradas pelo arrependimento.

Impotentes e rodeados de outros Espíritos nas mesmas tristes condições, não raro entram em desespero e revolta, pois as criações mentais de uns e outros tomam forma, impondo-lhes horror, do mesmo modo daquilo que causaram a outrem.

Ninguém está ao desamparo do Amor do Pai e tais regiões, tuteladas por Entidades angélicas, auxiliam aqueles que pelo merecimento do remorso sincero e vontade de renovação se candidatam a reencetar a própria reconstrução moral.

O amparo desses anjos tutelares e a vigilância infalível que mantêm sobre tais Espíritos domiciliados nessas regiões purgatoriais representa que cada ser cria para si mesmo uma cadeia individual, em conseqüência dos crimes que tenha praticado.

Os agentes responsáveis pelos mais vis procedimentos no mundo são agrupados nessas paragens de angústia e tormento. Se a medicina terrena os examinasse nesse quadrante certamente encontraria desconhecidas e multiplicadas patologias mentais.

24.4 – Reencarnação de enfermos

Tais enfermos da alma, desde que neles esteja identificada a vontade de melhoria comportamental, volvem à vida física. Renascem muitos no lar dos responsáveis pelo seu passivo de erros, sob o foco protetor ou dos pais ou de Espíritos que por eles velam, os quais por vezes até renunciam a outras tarefas que os conduziriam a maior evolução.

Ao reencarnarem, contudo, não se despojaram dos implementos mentais negativos, nem dos reflexos condicionados no mal. Alguns espelharão retardo mental, outros, porém, que corrigiram apenas parcialmente o comportamento quando ainda na Espiritualidade, via de regra se mostram criaturas delirantes, abúlicas, de difícil trato, pela petulância e insensibilidade, além de aberrações sexuais variadas.

24.5 – Obsessão e mediunidade

A reencarnação contempla tais criminosos, na verdade médiuns doentes.

Muito pode fazer o Espiritismo pela sua recuperação, plantando em sua mente doentia novos conceitos morais, em oposição à corrente mental degradada que carregam.

Vêm esses infelizes irmãos nossos de regiões altamente infelizes e não raro constituem-se em “antenas” daqueles com os quais conviveram, daí porque o Centro Espírita, em os acolhendo poderão ajudá-los a se modificarem, em atividades doutrinárias fraternas, ensinando-lhes principalmente a substituir quadros de perturbação na tela mental por quadros inspirados nas lições do Mestre Jesus.

24.6 – Doutrina Espírita

Não se diga que apenas o Espiritismo pode ajudar a esses tais. Ao contrário, as várias religiões que contemplam a dignidade, a nobreza e o respeito a Deus e ao próximo, terão por certo recursos auxiliares a esses companheiros.

Mas, por outro lado, não há como negar que a Doutrina Espírita, mais que qualquer outra corrente do pensamento humano, tem condições de melhor amparar aos desequilibrados da alma, vez que todos trazemos, de experiências anteriores, um acervo oculto de procedimentos, bons e maus, do que faz prova nossa personalidade – doentia ou sã.

E o Espiritismo,como nenhuma outra atividade religiosa, desvenda esse acervo, pelo estudo das vidas passadas, desentranhando o passado, justificando o presente e possibilitando vislumbres do futuro — sempre em obediência à Lei Divina de Ação e Reação, a se manifestar pelos diversos processos reencarnatórios em que se exprime.

25. ORAÇÃO

25.1 – Mediunidade e religião

A mediunidade sempre esteve no mundo, mais ligada à magia.

Testemunhada nos povos primitivos, pelos “deuses” que criaram, mostrou-se ativa nos templos voltados para o ocultismo dos “iniciados”, vez por outra sendo exposta em praça pública, por magos.

Livros sagrados e profecias abundam na história da Terra, citando “anjos e demônios, evocações e mensagens de seres desencarnados, visões e sonhos, encantamentos e exorcismos”.

25.2 – Reflexo condicionado e mediunidade

A ligação “Terra-Céu” aparece em todas as ocorrências da Antigüidade, dos primitivos à atualidade, expondo reflexo condicionado na comunicação com o plano espiritual.

Objetos, vestes, imagens, incensos, cantos — tudo isso age como arremesso de ondas mentais casadas de profitentes ou assembléias, visando reciprocamente atrair ondas mentais semelhantes, objetivando um ou outro fim.

Alguém mal intencionado pode infundir terror em outrem, fragilizado na fé; o sacerdote bondoso ajudará o desesperado, despertando-lhe a confiança em Deus, com isso facilitando auxílio espiritual; o médico, pelo inegável apoio psíco-dinâmico que dê ao doente o ajudará a criar ondas mentais restauradoras, poder esse adormecido até então; o professor, estimulando o aluno, conseguirá que as lições repassadas sejam fixadas, para emprego de largo curso na existência terrena.

25.3 – Grandeza da oração

O reflexo condicionado age em todos nós, na vigília ou no sono, independentemente de despertamento externo. A prece é o mais benéfico de todos os mecanismos de vigilância, pois ela nos posiciona em ligação com Espíritos protetores.

Louvando, pedindo ou agradecendo, toda prece formulada em momentos de alegria ou dor, tranqüilidade ou aflição, arremessa de nós raios mentais que chegam ao Plano Maior e de lá volvem bênçãos infinitas àquele que ora com fervor.

“A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o Infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz”.

25.4 – Equilíbrio e prece

O homem dispõe de variados mecanismos para preservação da saúde.

Nosso organismo é maravilha da Engenharia Divina, a começar da pele e da mucosa intestinal, barreiras valorosas contra invasões de elementos químicos indesejáveis; o sistema imunológico é igualmente inapreciável reduto de proteção contra a ação danosa dessa ou aquela bactéria, desse ou aquele vírus.

Se o organismo físico é tão protegido pelos agentes defensivos com os quais Deus o engendrou, o mesmo não pode ser dito do corpo mental, cuja harmonia depende do Espírito que o preside. Mergulhados que vivemos num mar de formas-pensamento de toda espécie, somos quais aquele que em meio a uma selva procura o caminho de volta à segurança.

Tanto quanto a medicina terrena nos garante auxílio à saúde, da mesma forma a oração nos propiciará afinidade e aproximação com as Esferas Superiores, de onde vertem, incessantes, raios da “Vida Mais Alta”.

25.5 – Prece e renovação

No tumulto do mundo material o homem sofre assédio das vibrações inferiores dos Espíritos desencarnados e encarnados com os quais mantém afinidade, afadigando-se e se irritando com isso. Porém, no momento em que se dirija ao Alto, em prece, se verá envolvido em bênçãos calmantes e restauradoras.

A prece é assim recurso infalível para o apoio que verte do Plano da Luz.

Muito mais valorosa será a oração que objetive o aprendizado das lições do amor, com a conseqüente prática do amor ao próximo.

25.6 – Mediunidade e prece

A mediunidade e a oração constituem, em última análise (se é que assim possamos nos expressar), a maior fonte de luz do mundo, no processo evolutivo.

De longa data, milênios sobre milênios, encontraremos todos os povos dedicados à prece, invocando ou louvando, adorando ou meditando, todos em busca de reflexos à alma.

Moisés, no Sinai, captando os mandamentos sagrados.

Às margens do Lago de Genesaré ou no Monte Tabor, nos eventos finais do Getsêmani e da cruz, encontraremos Jesus em oração, sublime “reflexo condicionado de natureza divina”, que habita em todos nós.

26. JESUS E MEDIUNIDADE

26.1 – Divina mediunidade

Em nota indicada pelo Autor espiritual é relembrado que a mediunidade, em Jesus, “assume todas as características de exaltação divina”. E complementa que Kardec, em “A Gênese”, 12ª Ed., da FEB, ás p. 293 e 294, reflete que Jesus, integralizando todas as virtudes, agia por si mesmo e que, na verdade, não precisava de assistência, já que isso implicaria que outro Espírito teria que o assistir. E é Kardec que pergunta: “Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.”

Jesus, já na sua chegada ao plano terreno legou a toda a Humanidade sublime lição de humildade, em nascendo numa simples manjedoura, ao amparo materno e paterno, complementado por animais dóceis, cujo hálito aquecia a abençoada família.

Nenhum vulto histórico deixou marcas tão indeléveis na história do mundo quanto Jesus.

Dirigindo-se ao Espírito, suas lições dividiram a História em antes e depois d´Ele.

O potencial de suas ondas mentais, transmitidas ao mundo, rumam para a eternidade, representado pelas “energias da Vida Maior” que despertou nas almas.

26.2 – Médiuns preparadores

Rezam as tradições que inúmeros Espíritos de escol precederam à chegada de Jesus, como que preparando o mundo para tão sublime presente divino

NOTA: A partir deste item o Autor espiritual cita vários nomes que estão nas páginas do Novo Testamento, informando o Evangelista que fez o registro e detalhando a fonte.

Todos eles, médiuns abençoados, põem à mostra que captavam das Esferas Altas o informe da chegada do Cristo, criando assim circuito de forças ajustadas à Sua onda mental, que se espalhou pelo mundo.

26.3 – Efeitos físicos

Jesus iniciou sua sublime missão já a partir dos doze anos, assentando-se entre os doutores da lei de então, neles despertando profunda admiração por Sua sabedoria.

Depois, transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes e acalmou águas em tumulto. Levitou sobre as águas e proporcionou materialização de dois Espíritos, com os quais dialogou. Sob as vistas de público desmaterializou-se (no templo) e promoveu fenômeno de “voz direta” (à chegada em Jerusalém, montado num jumentinho).

26.4 – Efeitos intelectuais

Jesus é o maior de todos os demonstrativos de que o ser humano dispõe de recursos intelectuais que transcendem aos sentidos. Predisse com exatidão os acontecimentos que culminariam com a crucificação, ao tempo que advertiu aos Apóstolos, em caráter individual, sobre determinados procedimentos e vigilância. No Getsêmani estabelece diálogo com um Amigo dos Alturas, do qual recebe fraternidade pura.

26.5 – Mediunidade curativa

No enfoque das inúmeras curas que Jesus realizou encontraremos a expressão máxima do amor ao próximo. Paralíticos e leprosos, cegos e aleijados, alienados e obsessos, todos em estado de extrema necessidade, receberam alívio físico, mas principalmente foram despertados para as grandezas em potencial habitando neles mesmos.

Inesquecível a lição dada à mulher adúltera (na verdade, símbolo de toda a Humanidade) e ao paralítico de Betesda — à primeira, livrando da lapidação e ao segundo, da grave anormalidade física — para que “não pecassem mais, a fim de evitar coisa pior”.

26.6 – Evangelho e mediunidade

A mediunidade exercida tanto por Jesus, quanto por seus companheiros e posteriormente por heróicos continuadores, primou pela excelência da fraternidade pura e desinteressada.

Em prática mediúnica de alto significado Jesus estabelecia contato com o Plano Maior, amparava Espíritos sofredores, doutrinava obsessores empedernidos, volveu à presença dos Apóstolos após a crucificação, dando-lhes instruções para a semeadura do Evangelho — autêntico “Código de Princípios Morais do Universo”.

* * *

Indeclinável, ao término desta sinopse, mais uma vez usar a voz do coração e agradecer a André Luiz e aos médiuns aos quais repassou o sublime conteúdo desta obra. Estou plenamente consciente de que me portei qual “equilibrista desequilibrado” para realizar a tarefa de simplificar este estudo, em particular. Mas tinha que cumpri-la, pois de alguma forma colaborar para a divulgação de toda a Coleção “A Vida no Mundo Espiritual” é dever que a gratidão impõe, sob voto sincero da minha alma.

FIM

SOCIEDADE ESPÍRITA ALLAN KARDEC- RIBEIRÃO PRETO/SP

Eurípedes Kühl – Responsável

 

 

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A FORÇA DA MENSAGEM ESPÍRITA ESTÁ EM SUA DELICADEZA

Consciência Espírita -http://www.consciesp.org.br

Centro de Estudos Espíritas Paulo Apóstolo

 

Kardec já dizia que o espiritismo é o maior inimigo do materialismo. E conseqüentemente, da falta de fé, das filosofias imediatistas, reducionistas e negativistas

A doutrina espírita possui uma certa delicadeza. Uma delicadeza que vem do alto, dos planos superiores da vida hiperfísica.

É essa delicadeza, por assim dizer, a expressão de sua essência. O que toca, definitivamente, as fibras mais íntimas do coração humano.

Kardec já dizia que o espiritismo é o maior inimigo do materialismo. E conseqüentemente, da falta de fé, das filosofias imediatistas, reducionistas e negativistas.

A delicadeza dessa mensagem — desse moderno espiritualismo — convida o ser humano a um posicionamento inédito diante de si mesmo, das grandezas da natureza e do Ser Supremo.

A doutrina espírita também repousa numa fragilidade encantadora. Essa fragilidade, que confunde os doutos e os prudentes, está explícita na suavidade de sua mensagem, que ameniza a truculência materialista do mundo moderno.

É impossível, ao coração atormentado pela dor ou pelo tédio, não sentir-se comovido, ainda que por um fugaz momento — talvez o momento necessário — durante a leitura rápida e casual de alguma mensagem psicografada, transcrita nalgum pequeno folheto que corre de mão em mão, sem destinatário predeterminado.

A força da mensagem espírita também está na fragilidade das abnegadas mãos de luz que, no silêncio do sacrifício, transcrevem essas pérolas etéreas em forma de palavras que aquecem os corações desvalidos.

A força da doutrina espírita está na simplicidade e na emoção das vozes queridas que retornam dos portais dimensionais da vida e novamente sussurram aos nossos ouvidos, à semelhança do vento que sopra onde quer, confirmando a certeza incontestável de que o amor continua sempre no coração dos que partiram para a grande viagem ultrafísica...

A força de nossa doutrina está no despojamento de tudo o que aprisiona a mente e o coração — tudo o que não é essencial para verdadeiramente nos colocar ante a Presença Divina.

Está na fugidia busca do amor a Deus, “em espírito e verdade”, sem o frio e ostensivo entorpecimento ritualístico, livre das estéreis divagações metafísicas, simplesmente confirmando que é nos esforço pelo auto-aprimoramento de cada dia e na possível dedicação aos nossos semelhantes, que alçamos o vôo definitivo para a nossa iluminação interior.

A força de nossa doutrina, portanto, está em sua delicadeza, em toda essa sua fragilidade...

A leveza de sua mensagem está nesse seu poder, capaz de difundir no sombrio mundo dos homens, pacificamente, sem alarde, as luzes da vida eterna, da única vida que é a do Espírito imortal, sublime e cristalino reflexo do próprio Criador.

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MARÇO

 

 

Comemorando os 70 anos de publicação do livro PAULO E ESTÉVÃO , psicografado por Chico Xavier e ditado por Emmanuel, estamos trazendo as páginas inciais do referido livro e um breve resumo.

AUTOR: Espírito- EMMANUEL, PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

EDITORA: FEB,

 

Breve Notícia

 

Não são poucos os trabalhos que correm mundo, re­lativamente à tarefa gloriosa do Apóstolo dos gentios. É justo, pois, esperarmos a interrogativa: — Por que mais um livro sobre Paulo de Tarso? Homenagem ao grande trabalhador do Evangelho ou informações mais detalhadas de sua vida?

Quanto à primeira hipótese, somos dos primeiros a reconhecer que o convertido de Damasco não necessita de nossas mesquinhas homenagens; e quanto à segunda, responderemos afirmativamente para atingir os fins a que nos pro pomos, transferindo ao papel humano, com os recursos possíveis, alguma coisa das tradições do pla­no espiritual acerca dos trabalhos confiados ao grande amigo dos gentios.

Nosso escopo essencial não poderia ser apenas reme­morar passagens sublimes dos tempos apostólicos, e sim apresentar, antes de tudo, a figura do cooperador fiel, na sua legitima feição de homem transformado por Jesus-Cristo e atento ao divino ministério.

Esclarecemos, ainda, que não é nosso propósito levantar apenas uma biografia romanceada.

O mundo está repleto dessas fichas educa­tivas, com referência aos seus vultos mais notáveis. Nosso melhor e mais sincero desejo é recordar as lutas acerbas e os ásperos testemunhos de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humanas para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante.

As igrejas amornecidas da atualidade e os falsos de­sejos dos crentes, nos diversos setores do Cristianismo, justificam as nossas intenções.

Em toda parte há tendências à ociosidade do espí­rito e manifestações de menor esforço. Muitos discípulos disputam as prerrogativas de Estado, enquanto outros, distanciados voluntariamente do trabalho justo, suplicam a proteção sobrenatural do Céu. Templos e devotos entre­gam-se, gostosamente, às situações acomodatícias, prefe­rindo as dominações e regalos de ordem material.

Observando esse panorama sentimental é útil recor­darmos a figura inesquecível do Apóstolo generoso.

Muitos comentaram a vida de Paulo; mas, quando não lhe atribuíram certos títulos de favor, gratuitos do Céu, apresentaram-no como um fanático de coração res­sequido. Para uns, ele foi um santo por predestinação, a quem Jesus apareceu, numa operação mecânica da graça; para outros, foi um espírito arbitrário, absorvente e rís­pido, inclinado a combater os companheiros, com vaida­de quase cruel.

Não nos deteremos nessa posição extremista.

Queremos recordar que Paulo recebeu a dádiva santa da visão gloriosa do Mestre, às portas de Damasco, mas não podemos esquecer a declaração de Jesus relativa ao sofrimento que o aguardava, por amor ao seu nome.

Certo é que o inolvidável tecelão trazia o seu ministé­rio divino; mas, quem estará no mundo sem um ministério de Deus? Muita gente dirá que desconhece a própria tarefa, que é insciente a tal respeito, mas nós poderemos responder que, além da ignorância, há desatenção e muito capricho pernicioso.

Os mais exigentes advertirão que Paulo recebeu um apelo direto; mas, na verdade, todos os homens menos rudes têm a sua convocação pes­soal ao serviço do Cristo. As formas podem variar, mas a essência ao apelo é sempre a mesma. O convite ao ministério chega, ás vezes, de maneira sutil, inesperada­mente; a maioria, porém, resiste ao chamado generoso do Senhor. Ora, Jesus não é um mestre de violências e se a figura de Paulo avulta muito mais aos nossos olhos, é que ele ouviu, negou-se a si mesmo, arrependeu-se, tomou a cruz e seguiu o Cristo até ao fim de suas tarefas materiais.

Entre perseguições, enfermidades, apodos, zombarias, desilusões, deserções, pedradas, açoites e encarceramentos, Paulo de Tarso foi um homem intrépido e sincero, caminhando entre as sombras do mundo, ao encontro do Mestre que se fizera ouvir nas encruzilhadas da sua vida.

Foi muito mais que um predestinado, foi um realizador que trabalhou diariamente para a luz.

O Mestre chama-o, da sua esfera de claridadeS imor­tais. Paulo tateia na treva das experiências humanas e responde: — Senhor, que queres que eu faça?

Entre ele e Jesus havia um abismo, que o Apóstolo soube transpor em decênios de luta redentora e constante.

Demonstrá-lo, para o exame do quanto nos compete em trabalhO próprio, a fim de Ir ao encontro de Jesus, é o nosso objetivo.

Outra finalidade deste esforço humilde é reconhecer que o Apóstolo não poderia chegar a essa possibilidade, em ação isolada no mundo.

Sem Estevão, não teríamos Paulo de Tarso. O gran­de mártir do Cristianismo nascente alcançou influência muito mais vasta na experiência paulina, do que podería­mos imaginar tão-só pelos textos conhecidos nos estudos terrestres. A vida de ambos está entrelaçada com miste­riosa beleza. A contribuição de Estevão e de outras per­sonagens desta história real vem confirmar a necessida­de e a universalidade da lei de cooperação. E, para ve­rificar a amplitude desse conceito, recordemos que Jesus, cuja misericórdia e poder abrangiam tudo, procurou a companhia de doze auxiliares, a fins de empreender a re­novação do mundo.

Aliás, sem cooperação, não poderia existir amor; e o amor é a força de Deus, que equilibra o Universo.

Desde já, vejo os críticos consultando textos e com­binando versículos para trazerem á tona os erros do nosso tentame singelo. Aos bem-intencionados agradecemos sin­ceramente, por conhecer a nossa expressão de criatura falível, declarando que este livro modestO foi grafado por um Espírito para os que vivam em espírito; e ao pedan­tismo dogmático, ou literário, de todos os tempos, recorremos ao próprio Evangelho para repetir que, se a letra mata, o espírito vivifica.

Oferecendo, pois, este humilde trabalho aos nossos irmãos da Terra, formulamos votos para que o exemplo do Grande Convertido se faça mais claro em nossos cora­ções, a fim de que cada discípulo possa entender quanto lhe compete trabalhar e sofrer, por amor a Jesus-Cristo.

Emmanuel, Pedro Leopoldo, 8 de julho de 1941.

 

CONHECENDO O LIVRO PAULO E ESTÊVÃO

 

Jesus havia sido crucificado e a perseguição aos seus seguidores era cruel, comandada pelo jovem e brilhante Saulo, da cidade de Tarso, de Israel, destacado entre os Doutores da Lei Hebraica, e pelos romanos.

Jeziel e Abigail, irmãos caridosos e abençoados, filhos de Jochedeb, viram o pai ser roubado em suas terras em Corinto pelo Questor Romano Licínio Minúcio sendo depois morto em condições injustas e sob extrema violência, pelos soldados romanos sob ordens do questor, quando foi reclamar justiça, embora sob protesto dos filhos.

Para tomar posse das terras os romanos expulsaram os filhos da própria terra. Na fuga Abigail passou a viver com parentes nas cercanias de Tarso e Jeziel, não tendo melhor sorte, foi vendido como escravo aos comerciantes e condenado eternamente às galés, como remador.

Coube à sorte que Jeziel tivesse a oportunidade de curar importante Romano durante uma viajem em que a peste dizimava a todos a bordo de seu navio. Desta forma foi deixado na costa da palestina, onde foi abrigado na "Casa do Caminho" em Jerusalém, fundada pelos Cristãos da época. Sem que nada soubessem de seu passado, os cristãos dessa entidade, comandados por Pedro, o mesmo seguidor e apóstolo de Cristo, abrigou-o sob o pseudônimo de Estevão, curando-o de todas as suas feridas e males. Conhecendo o cristianismo, Estevão ficou a trabalhar nesta instituição, que fazia a caridade aos pobres, velhos, enfermos e crianças abandonadas, tornando-se um dos seus mais fervorosos pregadores, nas audiências públicas de Domingo, realizadas na modesta casa.

Passam-se os anos e o destino faz com que Saulo de Tarso conheça e se apaixone por Abigail, a quem promete juras de amor e com ela marca casamento.

Sempre fiel a suas idéias anti-cristãs, prega no Templo e ganha posição de destaque, sendo cotado para substituir Gamaliel, o maior dos Doutores de Tarso.

Estimulado por sua virulência pregatória, a empolgação dos colegas e incentivo dos amigos leva-o à instituição de uma cada vez maior ira contra os Cristãos. Ouvindo falar na Casa do Caminho decide visitá-la e conhecer as pregações de Domingo, para tentar descobrir as intenções daquela gente.

Assistindo à pregação de Estevão entra em debate com o discípulo fiel, que lhe responde à altura e com toda a convicção, defendendo os preceitos de Cristo. Sentindo-se desmoralizado, Saulo convoca Estevão ao templo Judeu e lhe faculta a palavra, mais em tom de julgamento do que em interesse de ouvi-lo.

Aproveitando-se do ambiente e do apoio dos amigos, inicia ali mesmo a perseguição, depois prisão de Estevão e seus amigos, destinando-o à morte como exemplo para assustar e desestimular as pessoas que, em grande número, estariam aceitando a palavra pregada do Nazareno, através de seus seguidores.

Sentindo crescer o seu triunfo exulta com a narrativa de seus sucessos à namorada que, sem nada saber sobre o prisioneiro Estevão, aceita assistir à flagelação do mesmo no dia do seu noivado, que é como Saulo de Tarso decide ampliar seu carisma na alta sociedade de Tarso. Entretanto Abigail, chegando ao final do ato, quando Estevão, após açoitado e brutalmente agredido na flagelação, está à morte, reconhece no moribundo o irmão querido, Jesiel.

Chocado mas ferido em seu orgulho por considerar inadmissível aparecer como apaixonado da irmã de um condenado cristão, renega o próprio amor e abandona a noiva, enquanto Estevão morre nos braços de Abigail.

Voltando à sua casa, profundamente entristecida, Abigail entra a adoecer. Visitada por Ananias, um cristão que veio de Damasco em pregação, Abigail encontra no cristianismo o lenitivo de sua dor e dedica-se às palavras de Cristo com ardor.

Saulo de Tarso recrudesce a sua agressão aos cristãos e aumenta a carnificina, estimulando muitas mortes, destruindo lares, inclusive de judeus da alta sociedade, seus amigos a quem surpreende em defesa do cristianismo, causando grande dano às famílias e seus seguidores. Estas ações se caracterizam por apreensão de bens e terras, prisão, torturas e mortes.

Sabedor de um forte movimento cristão em damasco, Saulo decide e recebe o apoio de seus colegas para fazer uma incursão àquela cidade, com o objetivo de punir Ananias e seus seguidores, depois de descobrir que aquele cristão fora responsável pela conversão de Abigail, a quem visitou pouco antes de morrer. Nesta ocasião, arrependido, ele ficou penalizado de ver a ex-noiva a morte e mais uma vez revoltou-se contra Jesus e seus seguidores, ao saber da conversão de Abigail, promovida por Ananias.

No caminho de Damasco no entanto, ocorreu o fenômeno que toda a história registrou: Sentindo-se deslumbrado por uma luz intensa, no centro da qual afirmou ter vislumbrado a figura de jesus, ouviu sua voz a lhe dizer: "Saulo, Saulo, por que me persegues?"

Prostrado, descobriu que estava cego e ao mesmo tempo admirado do poder impressionante d'Aquele a quem perseguia. Mais tarde, recolhido a uma simples estalagem na cidade, recebeu a misteriosa visita de uma pessoa que lhe restituiu a visão, dizendo-se enviado por Cristo. E mais uma vez surpreendeu-se, desta vez profundamente comovido e arrependido, ao ficar sabendo que aquele era Ananias, o cristão que convertera Abigail e fora enviado por Jesus para restituir-lhe a visão e a vida.

Saulo converteu-se definitivamente ao Cristianismo após este dia. Adotou o nome de Paulo e assim ficou conhecido como o "Apóstolo Paulo", , um dos maiores codificadores e divulgadores da mensagem cristã que perdura e cresce nos dias de hoje.

 

A vida do Apóstolo Paulo de Tarso

Grupo Espírita Apóstolo Paulo

Era inicialmente chamado de Saulo, nascido na cidade de Tarso, capital da província romana da Cilícia, fabricante de tendas. Depois de Jesus, é considerado a figura mais importante do cristianismo.

Era um judeu da Diáspora (Dispersão), de uma importante e rica família. Começou a receber aos 14 anos a formação rabínica, sendo criado de uma forma rígida no cumprimento das rigorosas normas dos fariseus, classe religiosa dominante daquela época, e ensinado a ter o orgulho racial tão peculiar aos judeus da antiguidade.

Quando se mudou para Jerusalém, para se tornar um dos principais dos sacerdotes do Templo de Salomão, deparou-se com uma seita iniciante que tinha nascido dentro do judaísmo, mas que era contrária aos principais ensinos farisaicos.

Dentro da extrema honestidade para com a sua fé e sentindo-se profundamente ofendido com esta seita, que se chamava cristã, começou a persegui-la, culminando com a morte de Estêvão, diácono grego e grande pregador cristão, que foi o primeiro mártir do cristianismo.

No ano de 32 D.C., dois anos após a crucificação de Jesus, Saulo viajou para Damasco atrás de seguidores do cristianismo, principalmente de um, que se chamava Barnabé. Na entrada desta cidade, teve uma visão de Jesus, que em espírito lhe perguntava: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Ficou cego imediatamente e, entrando na cidade, foi curado pelo mesmo Barnabé, sendo assim convertido ao cristianismo, mudando o seu nome para Paulo.

Paulo, a partir de então, se tornaria o "Apóstolo dos Gentios", ou seja, aquele enviado para disseminar o Evangelho para o povo não judeu.

Em 34 D.C., foi a Jerusalém, levado por Barnabé, para se encontrar com Pedro e Tiago, líderes da principal comunidade cristã até então.

Durante 16 anos , após sua conversão, ele pregou no vale do Jordão, na Síria e na Cilícia. Foi especialmente perseguido pelos judeus, que o consideravam um grande traidor.

Fez quatro grandes viagens missionárias: 1ª Viagem (46-48 D.C.), 2ª Viagem (49-52 D.C.), 3ª Viagem (53-57 D.C.), 4ª Viagem (59-62 D.C.), sendo que na última foi à Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia.

Certamente escreveu inúmeras cartas, mas somente 14 destas chegaram até nós, chamadas de Epístolas Paulinas, que são:

 

Veja também Saulo , onde estão os mapas das viagens realizadas pelo apóstolo.

O estudo da obra poderá ser complementado com palestras de Haroldo Dutra Dias,, acessando : http://www.youtube.com/results?search_query=hraroldo+dutra+dias++paulo+e+est%C3%A9v%C3%A3o&oq=hraroldo+dutra+dias++paulo+e+est%C3%A9v%C3%A3o&aq=f&aqi=&aql=&gs_sm=3&gs_upl=398l28804l0l30064l50l47l2l28l0l3l559l5201l1.3.4.5.3.1l17l0

 

ABRIL

 

HOMENAGEM A CHICO XAVIER- UMA RÁPIDA BIOGRAFIA

 

Francisco de Paula Cândido Xavier reencarnou em Pedro Leopoldo , modesta cidade de Minas Gerais, em 2 de abril de 1910. Desde os 4 anos de idade o menino Chico Xavier teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro... Aquele seu filho era estranho! O garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara D. Maria João de Deus, a querida mãezinha, que o deixaria órfão aos 05 anos. Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e sempre bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência. Tendo clarividência e clariaudiência intensas, mantinha contato direto com os espíritos amigos, sendo que conversava com a mãezinha desencarnada e ouvia vozes confortadoras. Na escola, sentia a presença delas, auxiliando-o nas tarefas habituais. O certo é que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu... A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi, em sua vida, conforme ele mesmo disse, "uma bênção indefinível".

Em 7 de maio de 1927 participou de sua primeira reunião espírita. Até 1931 recebeu muitas poesias e mensagens, várias das quais saíram a público, estampadas à revelia do médium em jornais e revistas, como de autoria de Francisco Xavier. Nesse mesmo ano, vê, pela primeira vez, o Espírito Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual. Francisco Cândido Xavier - Chico Xavier - iniciou, publicamente, seu mandato mediúnico em 08 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas. Em noite memorável, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Dezessete folhas de papel foram preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.

Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe duas orientações básicas para o trabalho que deveria desempenhar. Fora de qualquer uma delas, tudo seria malogrado. Eis a primeira. - "Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus? - Sim, se os bons espíritos não me abandonarem... - respondeu o médium. - Não será você desamparado - disse-lhe Emmanuel - mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem. - E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? - tornou o Chico. - Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço... Porque o protetor se calasse o rapaz perguntou: - Qual é o primeiro? A resposta veio firme: - Disciplina. - E o segundo? - Disciplina. - E o terceiro? - Disciplina".

A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada: - "Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo".

Em 1932 a FEB (Federação Espírita Brasileira) publicou seu primeiro livro, o famoso "Parnaso de Além-Túmulo"; hoje, as obras que psicografou vão a mais de 400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto, francês, inglês, japonês, grego, etc. De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie.

Romances históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: "Há 2000 Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!", "Paulo e Estevão", provocando a elaboração do "Vocabulário Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel", de Roberto Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras. "Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel à época de Jesus

A série do espírito André Luiz é reveladora, doutrinária e científica; com obras notáveis no tocante à vida depois da desencarnação, a série nos traz: "Nosso Lar", "Os Mensageiros", "Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna", "No Mundo Maior", "Agenda Cristã", "Libertação", "Entre a Terra e o Céu", "Nos Domínios da Mediunidade", "Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos ", "Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita", "Sexo e Destino", "Desobsessão", "E a Vida Continua...".

Chico desencarnou em 30 / 06 / 2002. Antes, porém, deitado, perguntou a um amigo se a seleção brasileira de futebol havia ganhado a copa do mundo. Tendo uma resposta afirmativa, Chico disse algo do tipo: "agora que todos estão alegres com a vitória do Brasil, eu posso ir em paz porque, neste momento de festa, ninguém vai ficar triste com a minha desencarnação". Novamente Chico, mesmo fisicamente enfermo, preocupava-se com o bem estar do próximo. Logo após teve uma parada cardíaca e, assim, voltou ao Mundo Espiritual, no qual foi recebido por Jesus.

 

Chico Xavier
Coleção Completa- 412 LIVROS

BAIXE OS LIVROS PSICOGRAFADOS POR CHICO XAVIER

http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/bibliotecavirtual/principal.html

 

PARA MEDITAR

 

O MELHOR E O ADEQUADO
Marcus Vinícius de Azevedo Braga
Fonte: O Mensageiro
http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-278.htm

 

Certo professor meu defendia ardorosamente em suas aulas de Administração dos Materiais que não poderíamos, na nossa vida administrativa, querer sempre o melhor. O melhor era muito caro! As organizações demandavam, sim, o adequado. Para uma escola, colocar o papel de secar as mãos de melhor qualidade do mercado pode nos obrigar a tirar recursos do material didático, pois não existirá recurso para colocar tudo de primeira linha. Essa sabedoria simples chamou-me a atenção e levei-a para a minha vida profissional. Mas, analisando a sua propriedade, vemos que a nossa vida como Espíritos imortais encarnados na Terra também demanda um pouco dessa visão.

O melhor é insustentável, pois o melhor de hoje não é mais o melhor de amanhã. O melhor exclui, torna-se obsoleto com grande velocidade. O adequado atende. Na vida nos digladiamos cotidianamente pelo melhor e esquecemos que poderíamos estar satisfeitos com o adequado. Matamos um leão a cada dia para dar o melhor aos filhos, quando eles necessitam do adequado e de nós. A busca pelo melhor é infinita, efêmera.

O melhor é competitivo, olha para o lado. O adequado é para si, olha para quem dele precisa. Muitos no mundo sofrem pela falta do adequado e muitos outros se debatem em tristeza pela falta do melhor. O melhor é construído, o adequado é real. É fundamental identificarmos em nossa vida o que é adequado, o que é necessário para nos atender e aos que de nós dependem. O melhor precisa ser acompanhado da ostentação. O melhor é para poucos, o adequado atende a mais pessoas.

O melhor é elitista. O melhor demanda escolhas, pois os recursos são limitados. O adequado é distributivo, vai de encontro às necessidades, sem ser mínimo. O melhor é fruto de um processo de comparações, para se chegar a um eleito. O adequado é fruto de um processo de investigação do atendimento de uma necessidade. O melhor ocupa os lugares do adequado.

O melhor é consumista. O adequado é o necessário. Às vezes não precisamos do melhor, mas insistimos em tê-lo. O adequado nos serve. O melhor, só ele serve. O adequado nos exige adaptação. O melhor é a originalidade da exceção. O melhor sempre custa muito caro. O melhor sempre é alvo de disputa.

Como Espíritos imortais, viajores da estrada da existência, em relação aos bens materiais devemos cultivar a lógica do adequado, identificando o inadequado, o ocioso e o inservível, pois esses podem ser adequados a outros irmãos. A corrida pelo melhor nos aprisiona aos bens materiais, cujo valor de uso é suplantado pelo seu valor de troca, onde ter é um mecanismo de mercado que nos importa não pelo que aquela coisa nos atende e sim pelo que ela vale em relação aos outros. Construímos castelos de objetivos distantes da nossa vida espiritual. Faz-se mister nos libertarmos da busca desenfreada pelo melhor, insuflada pela propaganda massificada, colocando as coisas materiais no seu lugar, o lugar adequado.

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MAIO

 

PARA MEDITAR

DEVER SIMPLES

BATUÍRA

 

Trabalho aparentemente simples e que o dever nos aponta como sendo dos mais importantes nas relações humanas: podar os atritos.

Notadamente no grupo de serviço, tanto os que administram quanto os que obedecem precisam daqueles que lhes assessorem as atividades na preservação da harmonia e da segurança.

E essa tarefa positivamente necessária na conservação da paz é acessível a todos. Cada obreiro dentro dela dispensará designações de qualquer natureza para atuar. Todos somos convidados a sustentá-la e exercê-la.

Surpreendes diminuta questão a resolver ou espinhosa providência a executar e, desde que não afetes as responsabilidades dos outros, não peças a alguém para interferir. Toma sobre ti mesmo o encargo de atender ao que deve ser feito, sem cobrar aplausos dos que te compartilhem a experiência.

Se ali ouves conversações descabidas, evidentemente destinadas a fomentar desentendimento ou perturbação, promete à própria consciência que trabalharás sem alarde para refazer a concórdia.

Diante de algum problema, não lhe dês expansão aos aspectos negativos. Perante companheiros, transitoriamente desanimados ou tocados de influência obsessiva, administra-lhes esperança e renovação sem comentários.

Não te digas incapaz de contribuir nas fileiras da caridade. A todo instante, com qualquer pessoa, em toda parte e nas mínimas circunstâncias, podes evitar a mágoa ou sustar o desequilíbrio. E basta reduzir as áreas do mal para que nos coloquemos, de imediato, sob a força do bem.

Livro ¨Mais Luz¨, psicografia de Francisco Cândido Xavier

 

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MATERIALISMO

Emmanuel ,Reunião pública de 7-8-59.

Questão 201 (Livro dos Espíritos)

 

Para dissipar a sombra o materialismo a espessar-se no espírito humano, é forçoso evitemos a atitude daquelas autoridades da antiga Bizâncio, que discutiam bagatelas, enquanto os inimigos lhes cercavam as portas.

Reconhecendo a impossibilidade de vincular essa anomalia às raízes da ignorância, de vez que o epicurista é, invariavelmente, alguém que se prevalece da cultura intelectual para extrair da existência o máximo de prazer com esquecimento da responsabilidade, interpretemos o materialismo como sendo enfermidade obscura, espécie de neoplasma da mente, a degenerar-lhe os mecanismos. Da tumoração invisível, surge a violência e a crueldade, a desumanidade e o orgulho por metástases perigosas, suscetíveis de criar as piores deformidades no mundo íntimo.

E tanto quanto a ciência médica ainda encontra dificuldades para definir a etiologia do câncer, surpreendemos, de nossa parte, os maiores entraves para explicar a causa de semelhante calamidade, porquanto sendo a idéia de Deus imanente em todas as leis do Universo, não é compreensível se isole, voluntariamente, a razão de sua origem divina.

Convençamo-nos, porém, de que todo desequilíbrio de espírito pede, por remédio justo, a educação de espírito.

Veiculemos, assim, o livro nobre. Estendamos a mensagem edificante. Acendamos a luz dos nossos princípios nas colunas da imprensa.

Utilizemos a onda radiofônica, auxiliando o povo a pensar em termos de vida eterna.

Relatemos as nossas experiências pessoais, no caminho da fé, com o desassombro de quem se coloca acima dos preconceitos.

Amparemos a infância e a juventude para que não desfaleçam a míngua de assistência espiritual.

Instruamos a mediunidade.

Aperfeiçoemos os nossos próprios conhecimentos, através da leitura construtiva e meditada.

Instituamos cursos de estudo do Evangelho de Jesus e da obra de Allan Kardec, em nossas organizações, preparando o futuro. Ofereçamos pão ao estômago faminto e alfabeto ao raciocínio embotado. Plantemos no culto da caridade o culto da escola.

E, sobretudo, considerando o materialismo como chaga oculta, não nos afastemos da terapia do exemplo, porque, em todos os climas da Humanidade, se a palavra esclarece, o exemplo arrasta sempre.

(De "Religião dos Espíritos", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

 

 

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NOTÍCIAS

Filme E A Vida Continua... será lançado em Agosto

A 2ª edição do Festival de Cinema Transcendental ( 26 a 29 de março) contou com exibição de filmes abordando o gênero voltado para a solidariedade e religiosidade. Área Q que estreia nacionalmente no dia 13 de abril e E A Vida Continua ... de Paulo Figueiredo (diretor) e Oceano Vieira de Melo (produtor), participaram da programação que contou, ainda, com premiação de curta-metragem. Entre os vencedores do evento, Victor Hugo Silva recebeu destaque com o curta "Mediunidade Descoberta".

Paulo Figueiredo e Oceano de Melo que lançarão a obra cinematográfica citada, baseada do livro ditado por André Luiz e psicografado por Chico Xavier, em agosto, estiveram presentes no último dia de espetáculo, juntamente com o presidente da FEB, Nestor João Masotti e o vice-presidente Antonio Cesar Perri.

JUNHO

REVISTA ESPÍRITA

(Texto de Allan Kardec, transcrito de Revue Spirite, janeiro de 1858)

A rapidez com que se propagaram, em todas as partes do mundo, os estranhos fenômenos das manifestações espíritas é uma prova evidente do interesse que despertam. A princípio simples objeto de curiosidade, não tardaram a chamar a atenção de homens sérios que neles vislumbraram, desde o início, a influência inevitável que viriam a ter sobre o estado moral da sociedade. As novas ideias que surgem desses fenômenos popularizam-se cada dia mais, e nada lhes pode deter o progresso, pela simples razão de que estão ao alcance de todos, ou de quase todos, e nenhum poder humano lhes impedirá que se manifestem.
Se os abafam aqui, reaparecem em cem outros pontos. Aqueles, pois, que neles vissem um inconveniente qualquer, seriam constrangidos, pela própria força dos fatos, a sofrer-lhes as consequências, como sói acontecer às indústrias novas que, em sua origem, ferem interesses particulares, logo absorvidos, pois não poderia ser de outro modo. O que já não se fez e disse contra o magnetismo!

Entretanto, todos os raios lançados contra ele, todas as armas com que foi ferido, mesmo o ridículo, esboroaram-se ante a realidade e apenas serviram para colocá-lo ainda mais em evidência.

É que o magnetismo é uma força natural e, perante as forças da Natureza, o homem é um pigmeu, semelhante a cachorrinhos que ladram inutilmente contra tudo que os possa amedrontar.

Dá-se com as manifestações espíritas a mesma coisa que se dá com o sonambulismo: se não se produzirem à luz do dia e publicamente, ninguém impedirá que ocorram na intimidade, pois cada família pode descobrir um médium entre seus membros, das crianças aos velhos, assim como pode encontrar um sonâmbulo.
Quem, pois, poderá impedir que a primeira pessoa que encontremos seja médium e sonâmbula? Sem dúvida, os que o combatem não refletiram nisto. Insistimos: quando uma força está na Natureza, pode-se detê-la por um instante, porém, jamais aniquilá-la! Seu curso apenas poderá ser desviado.

Ora, a força que se revela no fenômeno das manifestações, seja qual for a sua causa, está na Natureza, da mesma forma que o magnetismo, e não poderá ser exterminada, como a força elétrica também não o será.
O que importa é que seja observada e estudada em todas as suas fases, a fim de se deduzirem as leis que a regem. Se for um erro, uma ilusão, o tempo fará justiça; se, porém, for verdadeira, a verdade é como o vapor: quanto mais se o comprime, tanto maior será a sua força de expansão. Causa justa admiração que, enquanto na América, somente os Estados Unidos possuem dezessete jornais consagrados a esse assunto, sem contar um sem-número de escritos não periódicos, a França, o país da Europa onde tais ideias mais rapidamente se aclimataram, não possui nenhum. Não se pode contestar a utilidade de um órgão especial, que ponha o público a par do progresso desta nova Ciência e o previna contra os excessos da credulidade, bem como do cepticismo. É essa lacuna que nos propomos preencher com a publicação desta Revista, visando a oferecer um meio de comunicação a todos quantos se interessam por estas questões, ligando, através de um laço comum, os que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e a caridade evangélica para com todos. Se não se tratasse senão de uma coleta de fatos, a tarefa seria fácil; eles se multiplicam em toda parte com tal rapidez que não faltaria matéria; mas os fatos, por si mesmos, tornam-se monótonos pela repetição e, sobretudo, pela similitude. O que é necessário ao homem racional é algo que lhe fale à inteligência. Poucos anos se passaram desde o surgimento dos primeiros fenômenos, e já estamos longe da época das mesas girantes e falantes, que foram suas manifestações iniciais. Hoje, é uma ciência que revela todo um mundo de mistérios, tornando patentes as verdades eternas que apenas pelo nosso espírito eram pressentidas; é uma doutrina sublime, que mostra ao homem o caminho do dever, abrindo o mais vasto campo até então jamais apresentado à observação filosófica.
Nossa obra seria, pois, incompleta e estéril se nos mantivéssemos nos estreitos limites de uma revista anedótica, cujo interesse rapidamente se esgotasse.Talvez nos contestem a qualificação de ciência, que damos ao Espiritismo. Certamente não teria ele, em nenhum caso, as características de uma ciência exata, e é precisamente aí que reside o erro dos que o pretendem julgar e experimentar como uma análise química ou um problema matemático; já é bastante que seja uma ciência filosófica. Toda ciência deve basear-se em fatos, mas os fatos, por si sós, não constituem a ciência; ela nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. Chegou o Espiritismo ao estado de ciência?

Se por isto se entende uma ciência acabada, seria sem dúvida prematuro responder afirmativamente; entretanto, as observações já são hoje bastante numerosas para nos permitirem deduzir, pelo menos, os princípios gerais, onde começa a ciência. O exame raciocinado dos fatos e das consequências que deles decorrem é, pois, um complemento sem o qual nossa publicação seria de medíocre utilidade, não oferecendo senão um interesse muito secundário para quem quer que reflita e queira inteirar-se daquilo que vê. Todavia, como nosso fim é chegar à verdade, acolheremos todas as observações que nos forem dirigidas e tentaremos, tanto quanto no-lo permita o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir as dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Nossa Revista será, assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das normas da mais estrita conveniência. Numa palavra: discutiremos, mas não disputaremos. As inconveniências de linguagem nunca foram boas razões aos olhos de pessoas sensatas; é a arma dos que não possuem algo melhor, voltando-se contra aqueles que dela se servem. Embora os fenômenos de que nos ocupamos se tenham produzido, nos últimos tempos, de maneira mais geral, tudo prova que têm ocorrido desde as eras mais recuadas. Não há fenômenos naturais nas invenções que acompanham o progresso do espírito humano; desde que estejam na ordem das coisas, sua causa é tão velha quanto o mundo e os seus efeitos devem ter-se produzido em todas as épocas. O que testemunhamos, hoje, portanto, não é uma descoberta moderna: é o despertar da Antiguidade, desembaraçada do envoltório místico que engendrou as superstições; da Antiguidade esclarecida pela civilização e pelo progresso nas coisas positivas. A consequência capital que ressalta desses fenômenos é a comunicação que os homens podem estabelecer com os seres do mundo incorpóreo e, dentro de certos limites, o conhecimento que podem adquirir sobre o seu estado futuro. O fato das comunicações com o mundo invisível encontra-se, em termos inequívocos, nos livros bíblicos; mas, de um lado, para certos céticos, a Bíblia não tem autoridade suficiente; por outro lado, para os crentes, são fatos sobrenaturais, suscitados por um favor especial da Divindade. Não haveria aí, para todo o mundo, uma prova da generalidade dessas manifestações, se não as encontrássemos em milhares de outras fontes diferentes. A existência dos Espíritos, e sua intervenção no mundo corpóreo, está atestada e demonstrada não mais como um fato excepcional, mas como um princípio geral, em Santo Agostinho , São Jerônimo, São João Crisóstomo, São Gregório Nazianzeno e tantos outros Pais da Igreja. Essa crença forma, além disso, a base de todos os sistemas religiosos. Admitiram-na os mais sábios filósofos da Antiguidade: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros. Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os gregos, os egípcios, os hindus, os caldeus, os romanos, os persas, os chineses. Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos povos, a todas as perseguições e desafiar todas as revoluções físicas e morais da Humanidade. Mais tarde a encontramos entre os adivinhos e feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas Walkírias dos escandinavos, nos Elfos dos teutões, nos Leschios e nos Domeschnios Doughi dos eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos bretões, nos Cemis dos caraíbas, numa palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios bons e maus, nos silfos, gnomos, fadas e duendes, com os quais todas as nações povoaram o espaço.
Encontramos a prática das evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka, na Islândia, entre os indígenas da América do Norte e os aborígenes do México e do Peru, na Polinésia e até entre os estúpidos selvagens da Nova Holanda. Sejam quais forem os absurdos que cercam essa crença e a desfiguram segundo os tempos e os lugares, não se pode discordar de que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos deturpado. Ora, uma doutrina não se torna universal, não sobrevive a milhares de gerações, não se implanta de um polo a outro, entre os povos mais diversificados, pertencentes a todos os graus da escala social, se não estiver fundada em algo de positivo. O que será esse algo? É o que nos demonstram as recentes manifestações. Procurar as relações que possam existir entre tais manifestações e todas essas crenças, é buscar a verdade. A história da Doutrina Espírita, de certo modo, é a história do espírito humano; teremos que estudá-la em todas as fontes, que nos fornecerão uma mina inesgotável de observações tão instrutivas quão interessantes, sobre fatos geralmente pouco conhecidos. Essa parte nos dará oportunidade de explicar a origem de uma porção de lendas e de crenças populares, delas destacando o que toca a verdade, a alegoria e a superstição. No que concerne às manifestações atuais, daremos explicação de todos os fenômenos patentes que testemunharmos ou que chegarem ao nosso conhecimento, quando nos parecerem merecer a atenção de nossos leitores De igual modo o faremos em relação aos efeitos espontâneos que por vezes se produzem entre pessoas alheias às práticas espíritas e que revelam, seja a ação de um poder oculto, seja a emancipação da alma; tais são as visões, as aparições, a dupla vista, os pressentimentos, os avisos íntimos, as vozes secretas, etc. À narração dos fatos acrescentaremos a explicação, tal como ressalta do conjunto dos princípios. A respeito faremos notar que esses princípios decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos, fazendo sempre abstração de nossas próprias ideias. Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos, mas a que nos tiver sido comunicada e da qual não seremos senão meros intérpretes. Um grande espaço será igualmente reservado às comunicações escritas ou verbais dos Espíritos, sempre que tiverem um fim útil, assim como às evocações de personagens antigas ou modernas, conhecidas ou obscuras, sem negligenciar as evocações íntimas que, muitas vezes, não são menos instrutivas; numa palavra: abarcaremos todas as fases das manifestações materiais e inteligentes do mundo incorpóreo.

A Doutrina Espírita nos oferece, enfim, a única solução possível e racional de uma multidão de fenômenos morais e antropológicos, dos quais somos testemunhas diariamente e para os quais se procuraria, inutilmente, a explicação em todas as doutrinas conhecidas. Nesta categoria classificaremos, por exemplo, a simultaneidade de pensamentos, a anomalia de certos caracteres, as simpatias e antipatias, os conhecimentos intuitivos, as aptidões, as propensões, os destinos que parecem marcados pela fatalidade e, num quadro mais geral, o caráter distintivo dos povos, seu progresso ou sua degenerescência, etc. À citação dos fatos acrescentaremos a pesquisa das causas que os poderiam ter produzido. Da apreciação desses fatos ressaltarão, naturalmente, ensinamentos úteis quanto à linha de conduta mais conforme à sã moral. Em suas instruções, os Espíritos Superiores têm sempre por objetivo despertar nos homens o amor do bem, através dos preceitos evangélicos; por isso mesmo eles nos traçam o pensamento que deve presidir à redação dessa coletânea. Nosso quadro, como se vê, compreende tudo quanto se liga ao conhecimento da parte metafísica do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e no futuro, porquanto estudar a natureza dos Espíritos é estudar o homem, tendo em vista que ele deverá fazer parte, um dia, do mundo dos Espíritos.
Eis por que acrescentamos, ao nosso título principal, o de jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância.

Nota : Por mais abundantes sejam nossas observações pessoais e as fontes onde as recolhemos, não dissimulamos as dificuldades da tarefa, nem a nossa insuficiência. Para suplementá-la, contamos com o concurso benevolente de todos quantos se interessam por essas questões; seremos, pois, bastante reconhecidos pelas comunicações que houverem por bem transmitir-nos acerca dos diversos assuntos de nossos estudos; a esse respeito chamamos a atenção para os seguintes pontos, sobre os quais poderão fornecer documentos:

Manifestações materiais ou inteligentes obtidas nas reuniões às quais assistirem; Fatos de lucidez sonambúlica e de êxtase; 3 º Fatos de segunda vista, previsões, pressentimentos, etc; Fatos relativos ao poder oculto, atribuídos com ou sem razão a certos indivíduos; Lendas e crenças populares; Fatos de visões e aparições; Fenômenos psicológicos particulares, que por vezes ocorrem no instante da morte; Problemas morais e psicológicos a resolver; Fatos morais, atos notáveis de devotamento e abnegação, dos quais possa ser útil propagar o exemplo ; 10º Indicação de obras antigas ou modernas, francesas ou estrangeiras, onde se encontrem fatos ­relativos à manifestação de inteligências ocultas, com a designação e, se possível, a citação das passagens.

Do mesmo modo, no que diz respeito à opinião emitida sobre a existência dos Espíritos e suas relações com os homens, por autores antigos ou modernos, cujo nome e saber possam lhes dar autoridade.Não daremos a conhecer o nome das pessoas que nos enviarem as comunicações, a não ser que, para isto, sejamos formalmente autorizados.

NOTÍCIAS

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JULHO

PARA MEDITAR

GRUPO ESPÍRITA

Batuíra

A embarcação prossegue. Outro símbolo não encontramos mais seguro para expressar a imagem de nosso trabalho em grupo, de vez que uma nave no mar permanece entre perigos constantes.

Se não vara a tormenta, despenha-se no fundo; se pára, retarda a viagem; se não se defende, é ameaçada pelos monstros marinhos; se não usa orientação segura, se destina a perder rumo arrastando as consequências.

Sim, um grupo espírita a serviço do Cristo é uma embarcação assim preciosa e batida sempre, iluminada e perseguida pelos elementos desencadeados da natureza, quando o desequilíbrio sobrevem.

É por isso que pedimos ao coração e ao ânimo de nossos companheiros muita segurança na fé.

Ainda que a marcha se faça vagarosa, sigamos com firmeza. A obra é d'Aquele que nos designou para a viagem e o porto resplende, farto de luz e bênçãos. Que as sugestões menos felizes não nos seduzam. Nem queixas diante da tempestade, nem alegrias de ilusão nas ilhas em que poeira dourada entretece fantasias.

Trabalhar sempre, guardando união e confiança no cerne de nossas atividades. Nem sempre é o vento que derriba as naus que velejam corajosas; muitas vezes é a ausência da bússola. E a bússola é a segurança de atitude para com os deveres a que fomos chamados.

Haja o que houver, usemos a oração para reajustar brechas que surjam. Seja a prece o nosso clima de apaziguamento interior, porque a prece dispõe a criatura a refletir a vida mais alta,

 

Livro ¨Mais Luz¨, psicografia de Chico Xavier.

 

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SEM CARIDADE

 

Sem a caridade do trabalho para as suas mãos, o seu descanso pode transformar-se em preguiça.

Sem a caridade da tolerância, o seu trabalho seguirá repleto de entraves.

Sem a caridade da simpatia para com os necessitados de qualquer procedência, as suas palavras de corrigenda serão nulas.

Sem a caridade da gentileza, a sua vida social e doméstica será sempre um purgatório de incompreensões.

Sem a caridade da desculpa fraterna, seus problemas seguirão aumentados.

Sem a caridade da lição repetida, o seu esforço não auxiliará a ninguém.

Sem a caridade da cooperação, a sua tarefa pode descer ao isolamento enfermiço.

Sem a caridade do estímulo ao companheiro que luta, sofre e chora, no trato com as próprias imperfeições o orgulho se lhe dará petrificado na própria alma.

Sem a caridade do auxílio incessante aos pequeninos, a vaidade viverá fortalecida em nosso espírito invigilante.

Sem a caridade do entendimento amigo, a sua franqueza será crueldade.

Sem a caridade do concurso desinteressado e fraterno, as suas dificuldades crescerão indefinidamente.

Sem a caridade em nosso caminho, tudo se converterá em inquietude, sombra e sofrimento. Por isso mesmo, adverte-nos o Evangelho — "fora da caridade ou fora do amor não existe realmente salvação.”

André Luiz (De “Caridade”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos

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PENSAMENTOS DE CHICO XAVIER

 

“ quando você não tiver uma palavra que auxilie, procure não abrir a boca...”

 

“Sabemos que precisamos de certos recursos, mas o Senhor não nos ensinou a pedir o pão, mais dois carros, mais um avião.. Não precisamos de tanta coisa para colocar tanta carga em cima de nós. Podemos ser chamados hoje à Vida Espiritual...”

Valorizemos o amigo que nos socorre, que se interessa por nós, que nos escreve, que nos telefona para saber como estamos indo... A amizade é uma dádiva de Deus...

Mais tarde, haveremos de sentir falta daqueles que não nos deixam experimentar solidão”!

“A caridade é um exercício espiritual... Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma. Quando os espíritos nos recomendam, com insistência a prática da caridade, eles estão nos orientando no sentido de nossa própria evolução; não se trata apenas de uma indicação ética, mas de profundo significado filosófico

 

 

REVISTA ESPÍRITA- ALGUNS DESTAQUES

 

PUBLICADA POR ALLAN KARDEC

 

RE – 1858 – pg. 204: O Espiritismo , com efeito, é um laço fraternal que deve conduzir à prática da caridade cristã todos aqueles que o compreendam em sua essência , porque tende a fazer desaparecer os sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme que dividem os homens; mas essa fraternidade não é a de uma seita; para ser segundo os divinos preceitos de Cristo , ele deve abraçar a Humanidade toda, porque todos os homens são filhos de Deus; se alguns estão afastados, ele manda lamentá-los; proíbe odiá-los. Amai-vos uns aos outros, disse Jesus; não disse: Amai aqueles que pensam como vós; por isso, quando os nossos adversários nos atiram pedras, não devemos nunca lhes devolver as maldições: esses princípios serão sempre daqueles que os professam, de homens que não procurarão nunca na desordem e no mal do seu próximo, a satisfação de seus interesses ou de suas paixões.

RE – 1858 – pg. 301: O ensino dos Espíritos é eminentemente cristão ; apoia-se sobre a imortalidade da alma, as penas e as recompensas futuras, o livre arbítrio do homem, a moral do Cristo; portanto, não é antirreligiosa.

 

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JOANNA DE ÂNGELIS

 

“O destino do Espírito é a plenitude que lhe está reservada e que alcançará mediante passos seguros no rumo do dever e da paz”.

Joanna de Ângelis (espírito) / psicografia de Divaldo Franco. Livro: Conflitos Existenciais

 

"Allan Kardec afirmou: Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.

Acreditar em Deus, na imortalidade do Espírito, na excelência dos postulados da reencarnação e permitir-se abater quando convidado á demonstração da capacidade de resistência, é lamentável queda na leviandade ou clara demonstração de que a fé não é real...

Permitir-se depressão porque aconteceram fenômenos desagradáveis e até mesmo desestruturadores do comportamento, significa não somente debilidade emocional que apenas tem fortaleza quando não há luta, mas também total falta de confiança em Deus.

Quando a fé é raciocinada, estribada nas reflexões profundas em torno dos significados existenciais, tem capacidade para enfrentar os problemas e solucioná-los sem amargura nem conflito, para atender as situações penosas com tranquilidade, porque identifica em todas essas situações as oportunidades de crescimento interior para o encontro com a VERDADE.

O conhecimento do Espiritismo liberta a consciência da culpa, o indivíduo de qualquer temor, facultando-lhe uma existência risonha com esperança e realizações edificantes pelos atos. Não apenas enseja as perspectivas ditosas do porvir, mas sobretudo ajuda a trabalhar o momento em que se vive, preparando aquele que virá.

-=-=-=-=-=-=-=-


"Quando Jesus propôs que brilhasse a tua luz, estimulou-te ao sublime labor da preservação da claridade do amor e do conhecimento que existe em ti, repartindo-o com os teus irmãos de jornada.
Há muita sombra no mundo aguardando um raio de luz que sirva de sinal de esperança apontando rumos. Herdeiro do amor de Deus, já conseguiste amealhar claridade para espargi-la onde te encontras. Sorri e prossegue, fazendo sempre o melhor, sem a preocupação de agradar a quem quer que seja.

Repetem-se, agora, as condições para a ampliação dos horizontes da fé libertadora. A renovação ocorrerá mediante a atualização dos ensinamentos de Jesus, que não foram devidamente vivenciados por aqueles que se apresentaram como Seus discípulos. Enquanto conduzes o luminoso facho da esperança e permaneces no trabalho ensementando(*) os paradigmas de amor e de sabedoria que libertam as consciências, aqueles espíritos inferiores de ambos os planos da vida se voltarão contra ti, esquecidos de que estás a serviço d Aquele que te enviou.

Corresponde-Lhe à confiança e deixa que brilhe a tua luz".

 

Joanna de Ângelis (espírito) / psicografia de Divaldo Franco. Livro: Atitudes Renovadas. www.oespiritismo.com.br

(*) ensementar- semear

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AGOSTO

PARA MEDITAR

A JUSTIÇA DIVINA

Vera Meira Bestene

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/a-justica-divina.html

O conceito de Céu e Inferno sofreu grandes modificações com o advento da Doutrina Espírita. Já não se entende mais por ser Céu uma região onde a felicidade plena impera e o Inferno um lugar de atroz sofrimento. A cada nova existência aprendemos que a vida vai seguindo, triunfante, em todos os domínios. A matéria vai assumindo estágios diversos de fluidez e condensação. Cada espírito permanece em determinado momento evolutivo sendo portanto o Céu o estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um e o inferno traduzido por uma vida de provações extremadas e dolorosas, com a certeza absoluta de que há algo melhor, podendo-se concluir, que tanto a felicidade quanto a infelicidade após a desencarnação, é inerente ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito. As dores e sofrimentos que cada um de nós experimenta são dores morais e estão diretamente relacionadas com os atos praticados. Nada, portanto, é gratuito. Tudo é consequência da Lei de Causa e Efeito. As imperfeições que não conseguimos corrigir na vida corporal refletem na alma e no espírito, sendo pois a felicidade um resultado imediato de nossa perfeição, isto é, nossa purificação do espírito.

Temos então a percepção clara de que a felicidade ou infelicidade depende de nosso grau evolutivo e das virtudes e progressos que alcançamos, que nos dão a possibilidade de adquirir o bem que nos falta, sendo de cada um o mérito de sua evolução. Não há uma única imperfeição que não acarrete uma funesta consequência para a alma, assim como não há sequer uma única qualidade, por menor que seja, que não seja fonte de uma satisfação. Pode-se dizer portanto que a soma de penas é proporcional a soma de nossas imperfeições e a dos gozos referentes a somatória de nossas qualidades. O futuro é aberto a todas as criaturas. A elas é dado, através do livre arbítrio, a possibilidade de, despojando-se de todo o mal, adquirir o bem através de virtudes e progressos, sendo isto consequência da vontade própria e aberto a todas as criaturas.

O inferno está em toda parte , onde quer que haja almas sofredoras; e o céu está, também, na mesma proporção em toda parte onde há almas felizes. Deus faculta os meios de melhoria. Oferece em cada reencarnação um planejamento coerente, de amor e justiça, onde cada qual tem a chance de progredir. Como cada pena equivale às faltas cometidas nas existências pretéritas, devemos nos esforçar para aproveitar ao máximo as experiências adquiridas em cada existência. Sendo portanto a felicidade impessoal, o sofrimento existe em diferentes graus e gêneros, traduzindo as penalidades espíritas em três princípios:

O sofrimento é inerente à imperfeição;

Toda imperfeição traz consigo o próprio castigo com consequências naturais e inevitáveis, assim sendo a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio sem que haja necessidade de uma penalidade específica para cada falta do indivíduo.

Podendo todo homem libertar-se das imperfeições pela própria vontade, pode, igualmente, anular os males consecutivos e assegurar futuras felicidades através de boas obras, de boas ações.

A justiça Divina dá "A cada um conforme a sua obra", embasada que é no princípio da ação e da reação.

A Lei do Progresso dá a toda alma o direito , a possibilidade de adquirir os benefícios que lhe falta. O bem e o mal que fazemos dependem das qualidades que possuímos. A liberdade, sendo qualidade essencial da alma humana dá ao homem a responsabilidade da dignidade e da moralidade, sendo pois estas duas noções, liberdade e moralidade, inseparáveis.

Sabemos, entretanto, que há males que ocorrem na nossa vida em que não concorremos para que aconteçam, aí sim, vemos diretamente o efeito das coisas que praticamos em vidas anteriores. O que se nos parece injusto por nada termos concorrido para um mau efeito, nesta existência, não o é porque é reflexo de imperfeições da vida pretérita, tais como por exemplo, acidentes que não podemos impedir, os reveses da vida financeira, a perda de entes queridos, e até os nascimentos com enfermidades, que certamente não foram adquiridos nesta existência. O hoje é o conjunto de experiências vividas no passado e o amanhã é, igualmente, o resultado de nossas ações do hoje.

Deus nos dá a possibilidade da prática do bem e do mal. Deus nos dotou do livre arbítrio e dependendo do que fazemos temos a reação equivalente. Paralelamente a isto há o que chamamos de fatalidade que é o resultado das provas que escolhemos, enquanto espíritos, ao reencarnar, para sofrer esta ou aquela provação à nossa evolução. É portanto responsabilidade nossa, de cada um de nós, as nossas aflições, os nossos infortúnios.

Não resta a menor dúvida que ao construirmos o nosso hoje aliando o produto de nossas experiências ao crescente desejo de fazer o bem, de exercer as qualidades morais existentes em cada um de nós, com o intuito de evoluir, teremos, certamente, mais venturas, pois não há sofrimento sem causa e efeito assim como não há ação sem reação.

De que forma poderemos, então, na mesma existência, suavizar nossas faltas e nossas desventuras? Que precisaríamos fazer para seguir adiante evolutivamente e reparar, nesta mesma existência, faltas cometidas? Este é o caso em que o arrependimento, a expiação e a reparação, constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta assim como suas consequências. O arrependimento, que é o reconhecimento verdadeiro, próprio do infrator, daquele que cometeu a falta, embora seja o primeiro passo para a reparação, amenizando a expiação, somente abre as portas da reparação e reabilitação. Só a reparação propriamente dita, entretanto, é que pode anular a causa. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem havíamos feito o mal. Quem não repara seus erros por má-vontade ou fraqueza, haverá de, em outra existência, conviver com as mesmas pessoas em condições voluntariamente escolhidas de modo a fazer-lhes o bem tanto quanto o mal que se tenha feito. A reparação de nossos erros, quando não é feita em uma existência, é levada a outra existência, só sendo efetivada com a aceitação cármica, pelo perdoado.

Após a expiação de erros passados, aí sim vem o resgate, que acontece sempre que praticamos o bem em compensação ao mal praticado, sendo humildes, quando fomos orgulhosos; caridosos quando fomos egoístas, úteis quando tivermos sido inúteis e assim sucessivamente.

Concluímos, portanto, que o perdão deve ser um ato contido de absoluto sentimento, puro, sem ostentação ou orgulho, sendo uma forma de reconciliação. Só assim ele aproveita o que nos ofendeu, sendo a generosidade do perdão um benefício àquele que perdoa.

(Publicado no Boletim GEAE Número 313 de 6 de outubro de 1998)

ANTE AS DECEPÇÕES

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 28 do livro Revelações da luz, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

 

Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas.

A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize. Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.

Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.

Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco.

Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.

A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial. Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.

O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.

Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.

Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho. Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam.

Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.

Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.

Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.

Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.

A Razão de Ser do Espiritismo

Victor Hugo (espírito), psicografia de Divaldo Franco

 

Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.

Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.

Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.

Sob a ação do escopo inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.

As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.

Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.

Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.

O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.

Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.

O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam . . .

Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.

Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, n ão é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.

Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.

Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas sequelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.

A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.

 

 

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NOTA :

TODO O MATERIAL UTILIZADO NO BOLETIM ¨ CAMINHO ¨ FOI OBTIDO NA INTERNET E / OU ATRAVÉS DE GRUPOS ESPÍRITAS DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA.

 

 

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