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MARÇO 2016

 

ESTUDO
A AVAREZA
DISSERTAÇÃO MORAL DITADA POR SÃO LUÍS À SENHORITA ERMANCE DUFAUX 
6 de janeiro de 1858
Tu, que possuis, escuta-me.
Certo dia, dois filhos de um mesmo pai receberam, cada um, o seu alqueire de trigo. O mais velho guardou o seu num lugar oculto; o outro encontrou no caminho um pobre a pedir esmolas; dirigindo-se a ele, despejou no seu manto metade do trigo que lhe coubera; depois, seguiu caminho e foi semear o resto no campo paterno. Ora, por esse tempo veio uma grande fome, as aves do céu morriam à beira dos caminhos.
O irmão mais velho correu ao seu esconderijo, ali não encontrando senão poeira; o caçula, tristemente, ia contemplar o trigo que havia secado no pé, quando depara com o pobre que havia assistido. – Irmão, disse-lhe o mendigo, eu ia morrer e tu me socorreste; agora que a esperança secou em teu coração, segue-me. Teu meio alqueire quintuplicou em minhas mãos; aplacarei tua fome e viverás em abundância.
Escuta-me, avaro! Conheces a felicidade? Sim, não é? Teus olhos brilham com um sombrio esplendor, nas órbitas que a avareza cavou mais profundamente; teus lábios se cerram; tuas narinas estremecem e teus ouvidos se apuram. Sim, ouço: é o tilintar do ouro que tua mão acaricia, ao se derramar no teu esconderijo. Dizes: É a suprema volúpia. Silêncio: vem gente! Fecha depressa! Oh! como estás pálido! todo o teu corpo estremece. Tranqüiliza-te; os passos se afastam.
Abre: olha, ainda teu ouro. Abre; não tremas mais; estás sozinho. Ouves? não é nada; é o vento que geme a passar pelas frestas. Olha; quanto ouro! mergulha as mãos: faze soar o metal; tu és feliz.
Feliz, tu! mas a noite não te dá repouso e teu sono é atormentado por fantasmas.
Tens frio! aproxima-te da lareira; aquece-te junto a esse fogo que crepita tão alegremente. Cai a neve; o viajor friorento envolve-se em seu manto e o pobre tirita sob seus andrajos. A chama da lareira diminui; atira mais lenha.
Não; pára! É o teu ouro que consomes com essa madeira; é o teu ouro que queima.
Tens fome! olha, toma; sacia-te; tudo isso é teu, pagaste com o teu ouro. Com o teu ouro! esta abundância te revolta; esse supérfluo é necessário para sustentar a vida? não, esse pedaço de pão será bastante; ainda é muito. Tuas roupas caem em frangalhos; tua casa se fende e ameaça ruir; sofres frio e fome, mas, que importa! Tens ouro! Infeliz! A morte vai separar-te do ouro. Deixá-lo-á à beira do túmulo, como a poeira que o viajor sacode à soleira da porta, onde a família bem-amada o espera para festejar o seu regresso.
Teu sangue congelou-se em tuas veias, enfraquecido e envelhecido por tua voluntária miséria. Ávidos, os herdeiros atiram teu corpo num canto qualquer do cemitério; eis-te face a face com a eternidade. Miserável! Que fizeste do ouro que te foi confiado para aliviar o pobre? Ouves estas blasfêmias? vês estas lágrimas? Este sangue? São as blasfêmias do sofrimento que terias podido acalmar; as lágrimas que fizeste correr; o sangue que derramaste.
Tens horror de ti; desejarias fugir e não podes. Tu sofres, condenado! E te contorces em teu sofrimento! Sofre! Nada de piedade para ti.
Não usaste de misericórdia para com o teu irmão infeliz; quem a teria por ti? Sofre! Sofre! Teu suplício não terá fim. Para te punir, quer Deus que assim o CREIAS.
Observação – Escutando o fim dessas eloqüentes e poéticas palavras, estávamos surpreendidos por ouvir São Luís falar da eternidade dos sofrimentos, enquanto todos os Espíritos superiores são concordes em combater tal crença, quando estas últimas palavras: Para te punir, quer Deus que assim o CREIAS, vieram tudo explicar. Nós as reproduzimos nos caracteres gerais dos Espíritos da terceira ordem. De fato, quanto mais imperfeitos os Espíritos, mais restritas e circunscritas são suas idéias; para eles o futuro está vago; não o compreendem. Sofrem; seus sofrimentos são longos e, para quem sofre por muito tempo, é sofrer sempre.
Por si mesmo, esse pensamento já é um castigo.
No próximo artigo citaremos fatos de  manifestações que poderão esclarecer-nos sobre a natureza dos sofrimentos de além-túmulo.

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REFLEXÃO
NASCER, VIVER E MORRER BEM
"Fora da caridade não há salvação"- seria simplesmente uma fachada histórica da Codificação Kardequiana? A resposta negativa surge automática.
Essa legenda constará, sem dúvida, de pórticos e flâmulas, mas, na essência, é pensamento vivo da Doutrina Espírita que no-la confia por síntese dos postulados do Cristo, recordando-nos que a caridade não existe para ser usada contra os homens, e sim a favor da Humanidade.
A virtude máxima não consistirá, exclusivamente, na preocupação de alimentar o estômago daquele que sente fome, mas também para que se lhe aprimorem as qualidades inatas de trabalhador, e se eleve ao nível dos que produzem a benefício da comunidade, provendo, em conseqüência, as próprias carências.
Não atenderemos ao sublime princípio, apenas induzindo o companheiro de alma entorpecida no ateísmo ou na indiferença, a cultivar o facho ardente da fé nos Poderes Superiores que governam a vida e sim igualmente a cooperar com ele no desenvolvimento do raciocínio, ajudando-o na aquisição do discernimento justo à frente do bem e do mal, de modo a não desertar da responsabilidade de viver, sentir, falar e atuar, perante as Leis Divinas.
Eis a razão porque a tarefa primordial do Espiritismo não se fundamentará em condenar tacitamente os erros dos outros, mas ergue-se em instituto natural de orientação e corrigenda, inspirando-nos a acertar sempre mais com a verdade que nos fará livres da ignorância.
Também não se apoiará em abraçar cegamente todos os desejos dos semelhantes, a pretexto de lhes açucararmos a existência, mas levanta-se em escola de compreensão e fraternidade dentro da qual aprenderemos a amar com equilíbrio e proveito.
Caridade é socorrer o próximo sem esquecer de lhe valorizar e ampliar as faculdades positivas para que o próximo preencha as finalidades a que se encontra destinado pelos objetivos da vida.

Fonte: ____________________________________________
Livro: Sol nas Almas Página 16
Pelo Espírito André Luiz - Psicografia de Waldo Vieira
Editora: CEC

É auxiliar a outrem não só para a remoção de necessidades e obstáculos, mas acima de tudo, para que a pessoa auxiliada se faça mais útil e mais nobre em si, porque todas as criaturas vivem na carne para morrer bem e renascer sempre melhores.
Tal é a lei...

 

Imperdível e indispensável leitura!!!

SEMEANDO O EVANGELHO DE JESUS
RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO
16. Não há, pois, duvidar de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. Um dia, porém, suas palavras, quando forem meditadas sem idéias preconcebidas, reconhecer-se-ão autorizadas quanto a esse ponto, bem como em relação a muitos outros.

Fonte: ____________________________________________
Revista Espírita de 1858

17. A essa autoridade, do ponto de vista religioso, se adita, do ponto de vista filosófico, a das provas que resultam da observação dos fatos. Quando se trata de remontar dos efeitos às causas, a reencarnação surge como de necessidade absoluta, como condição inerente à Humanidade; numa palavra: como lei da Natureza. Pelos seus resultados, ela se evidencia, de modo, por assim dizer, material, da mesma forma que o motor oculto se revela pelo movimento. Só ela pode dizer ao homem donde ele vem, para onde vai, por que está na Terra, e justificar todas as anomalias e todas as aparentes injustiças que a vida apresenta. Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho, razão por que hão dado lugar a tão contraditórias interpretações. Está nesse princípio a chave que lhes restituirá o sentido verdadeiro.

Fonte: ______________________________________________
Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. 4

 

VULTO ESPÍRITA DO MÊS
Zilda Gama
Corria o ano de 1878, o Brasil passava por uma grande tran sição política.
O regime Impe- rial vivia seus últimos momen-tos em um período de crises.
O café era o carro chefe da econo-mia essencial-mente agrária e latifundiária, e embora a luta pela libertação dos escravos se intensificasse, os coronéis do café resistiam a abri-rem mão do trabalho escravo.
É nessa conjun-tura política que, num vilarejo no interior das Mi-nas Gerais, hoje conhecido como São José das Três Ilhas, nasce, a 11 de março, Zilda Gama, uma alma de escol, tendo como missão educar crianças e servir de ponte entre o mundo físico e o mundo espiritual, de modo a contribuir para a segmentação do roteiro de luz do Evangelho de Jesus. Filha de Augusto Cristina da Gama, escrivão de paz, e Elisa Emílio Klors da Gama, professora, era a segunda filha de 11 irmãos.
Tempos depois, muda-se para São João Del Rei onde se diploma como professora primária exercendo o magistério público em Além Paraíba - MG.
Quando atinge a idade de 24, anos seus pais desencarnam. Então, ela assume a direção da casa e passa a  cuidar de seus 05 irmãos menores, tendo assm uma vida bem atribulada que se acentua, mais tarde, com o falecimento de sua irmã, pois assume os 05 sobrinhos, criando-os como seus filhos.
Jovem ainda, Zilda sente a presença de espíritos à sua volta e recebe mensagens através de psicografia de seus pais, que a consolam e a animam a continuar. Em 1912 recebe mensagem assinada por Allan Kardec. Após essa manifestação, o Codificador propiciou-lhe outros ensinamentos, os quais se encontram no livro "Diário dos Invisíveis" publicado em 1929 pela FEB.
Em 1916, os benfeitores espirituais lhe informaram que ela iria psicografar uma novela, o que a deixa muito surpresa. Desde então, o espírito Victor Hugo passou a escrever por vários livros por seu intermediário: "Na Sombra e na Luz"; "Do Calvário ao Infinito"; "Redenção"; "Dor Suprema"; "Almas Crucificadas"; "Solar de Apolo".
Além destes, também escreveu: "Na Seara Bendita"; "Na Cruzada do Mestre" e "Elegias Douradas"
Tornou-se então a pioneira no Brasil a receber tão vasta literatura do mundo espiritual.
Os sofrimentos de sua vida não a desanimam. E, como mulher de visão ampla muito a frente de seu tempo, atuava firmemente pelos direitos das mulheres. Participou do Congresso Feminino de 1931, como autora da tese sobre o direito das mulheres ao voto, tese esta que foi oficialmente aprovada pouco tempo depois.
Posteriormente, muda-se para o Rio de Janeiro e também se dedica a escrever contos e poesias para vários jornais, como "Jornal do Brasil", "A Gazeta de Notícias" e "A Revista da Semana".
Em relação à Doutrina dos Espíritos, foram anos de dedicação a sua divulgação para consolar os corações atribulados.
Em 1959, sofre um derrame cerebral, passando a viver em uma cadeira de rodas, assistida por um sobrinho que lhe fazia companhia.
Fato interessante na vida de Zilda Gama é haver psicografado mensagem de Kardec em 1912, quando Chico Xavier contava 2 anos de idade. Este fato é menionado no livro “Pioneiros de uma Nova Era”, de Antônio de Souza Lucena. O autor relata que, em 1912, na cidade de Além Paraíba (MG), Zilda Gama, que na época não tinha qualquer conhecimento da Doutrina Espírita, recebeu mensagem assinada por Allan Kardec, com o seguinte teor:
Sobre a tua fronte está suspenso um raio luminoso que te guiará através de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, e será a tua glória ou tua condenação, conforme o desempenho que deres aos teus encargos psíquicos. Cinge-te de coragem, sem desfalecimento e sem deslizes, em todos os teus deveres sociais e divinos e conseguirás ser triunfante.
Faltando 02 meses para completar 91 anos, verão de 1969, no dia 10 de Janeiro, desencarnava Zilda Gama na cidade do Rio de Janeiro.
Zilda foi um marco na história do Espiritismo no Brasil, tornando-se exemplo para todos nós.

 

 

UMA PALAVRA DE...ERMANCE DUFAUX

Mesmo guardando prudência e moderação, serás convocado ao aprendizado do desapego.

Na condição de usufrutuário passageiro das bênçãos que te felicitam, não obterás certidão de posse sobre tais recursos. Não existem perdas reais no universo, porque nada pertence a ninguém.
Quando a vida te convidar às necessárias renovações, ainda que sofras a dolorosa cirurgia do desprendimento, mantém-te no controle de ti mesmo.
Hoje é o filho que muda, amanhã um vínculo que parte, depois é um bem surrupiado, mais além um emprego que é retirado.Não são perdas, são mudanças.
Guarda calma e equilíbrio para que entendas o “recado” de Deus a ti endereçado nas alterações que a existência te conclama.
As dores das perdas são preciosos receituários contra as ilusões que carregamos.
Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Soares de Oliveira, em 17 de novembro 2007, na SED – Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Nenhum de nós sentirá bem ante as faltas que podíamos ter evitado. No entanto, nesses momentos infelizes, recorramos ao amor que devemos a nós mesmos.
A intolerância e a culpa, a tristeza e a vergonha são efeitos da nossa incapacidade de aplicar o auto-amor. A cobrança e a severidade são os frutos amargos da sementeira que realizamos nos descaminhos da irresponsabilidade.
O tempo presente, porém, chama-nos para a lucidez moral. Compete-nos o perdão incondicional ante os dissabores com nossas atitudes. Nesses momentos de pessimismo e tormenta interior, pacifiquemo-nos para começar de novo.
Começa indagando se algo te impede, definitivamente, de retomar a luta. Depois, ora suplicando a extensão da misericórdia celeste. Muitos erros da caminhada servem para sentirmos quanto ainda somos suscetíveis à queda, e para reconhecermos com mais exatidão a extensão de nossa fragilidade.
Em seguida, faça um inventário de tuas vitórias e esforços. Perceberás o valor de continuar a batalha sem tréguas.
Após esses passos, retome o trabalho honesto, e o tempo se encarregará do restante. Não existe ascensão espiritual sem tropeços e descuidos. Façamos o melhor que pudermos, mas na hora sombria e dilacerante do fracasso, pensemos em Deus e adotemos como norma: jamais desistir de lutar e buscar a felicidade, trabalhando, dia após dia, pelo reerguimento e pela reparação em favor da nossa paz.
Mensagem psicografada pelo médium Wanderley Soares de Oliveira, em 17 de novembro 2007, na SED – Sociedade Espírita Ermance Dufaux, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

OBSERVAÇÃO

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