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Jesus era conhecido como o Nazareno por ser habitante da cidade de Nazaré. Contudo a denominação de "Nazareno" poderia se referir também ao status de "nazir" ou "nazireu", ou seja, o indivíduo inteiramente consagrado a Deus, que, entre outras obrigações rituais, devia se abster de cortar os cabelos.

Jesus nasceu em uma época em que os judeus ansiavam pela libertação do jugo romano, já que viviam sob forte opressão econômica, social e política. Havia uma profunda crise dos valores tradicionais.

Por isso, os judeus aguardavam a chegada do Messias, que, como enviado de Deus, deveria liderar uma revolução capaz de expulsar romanos e derrubar a corrupta dinastia herodiana, restaurando o legítimo reino de Israel.

Em hebraico Mashiah, que significa "Ungido". O termo era originalmente utilizado para designar o sumo sacerdote, sobre cuja cabeça se derramava o óleo santo, como consagração de sua liderança espiritual e política. Os reis de Israel também eram ungidos.

Os seguidores de Jesus o reconheceram como o Messias, conforme previsto pelos profetas. Contudo, a dificuldade do povo em geral em aceitar Jesus como um pacificador, um homem que pregava o amor ao próximo, o perdão aos inimigos ao invés do guerreiro que viria restaurar o explendor de Israel, não permitiu a imediata assimilação de seus ensinamentos.

Porém, na condição de Messias, ele foi recebido em triunfo em Jerusalém, em sua última semana de vida. Mas o desenrolar dos acontecimentos frustrou essa expectativa de revolta armada. Os inimigos de Jesus (especialmente os saduceus), souberam então explorar a frustração popular que acabou por condenà-lo à morte.

Por que o povo, que testemunhara tantos milagres, abandonou Jesus?

Jesus trouxe uma mensagem de Paz e Amor. O seu Reino é o dos Céus. O povo não estava preparado para assimilar ensinamentos contrários à Lei de Talião, que previa dente por dente, olho por olho e muito menos para perdoar os inimigos ( no caso, os romanos ).

A revolução preconizada por Jesus é uma revolução interior, uma tomada de consciência e nada tinha a ver com os anseios do povo que buscava a libertação política e não a espiritual.

E embora Jesus tenha sido abandonado por seus contemporâneos mais imediatos, após a sua morte física, os apóstolos , seus seguidores mais próximos e depois, Saulo de Tarso- Paulo apóstolo, souberam difundir e perpetuar os seus sublimes ensinamentos.

AS ESTRUTURAS FAMILIARES NA SOCIEDADE JUDAICA

Tipo patriarcal, o pai goza toda autoridade sobre as pessoas.

• O marido é senhor da mulher.

• O templo, único local, onde se ofereciam os sacrifícios e se recolhiam os dízimos e as oferendas três vezes ao ano.

A mulher

• Não participava da vida pública, um homem não podia olhar, nem cumprimentar uma mulher casada;

• Perante a religião a mulher não era igual ao homem, na sinagoga ocupavam espaço separado;

• Perante a lei, estava sujeita a todas as proibições e a todo rigor civil e penal, inclusa à pena de morte.

JESUS E OS LAÇOS DE PARENTESCO

Mateus 12:46-50, Marcos 3:20-21-31-35, Lucas 8:19-21

Jesus afirma que a sua verdadeira parentela, seus verdadeiros irmãos, não são aqueles que lhe são ligados pelos laços de sangue, mas aqueles que ele lhes transmite da parte de Deus, o Pai de todos.

Jesus e as mulheres

• fala com uma mulher samaritana em público, pede-lhe de beber
• cura diversas mulheres, reintegrando-as à sociedade.
• coragem no episódio da mulher adultera, perdoando-a.

GRUPOS RELIGIOSOS E POLÍTICA

Vejamos agora, quais os grupos religiosos e políticas da época de Jesus.

Saduceus- Eram integrantes de um partido constituído por grandes proprietários de terras e membros da elite sacerdotal. O famoso historiador judeu Flávio Josefo (35 d.C.- 111 d.C.) escreveu que os saduceus representavam o poder, a nobreza e a riqueza. Conciliadores em relação ao domínio romano, eles controlavam o Sinédrio (o senado de Israel) e o Templo de Jerusalém. Negavam a imortalidade da alma, rejeitavam o Talmud (conjunto de opiniões e comentários dos antigos rabinos) e aceitavam apenas o que estava escrito na Torá (as Sagradas Escrituras judaicas, constituídas pelos cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), cuja redação era atribuída a Moisés.

Mais do que qualquer outro grupo, foram os saduceus os principais responsáveis pela condenação de Jesus.

Já os Escribas não estavam ligados a um segmento social específico, nem constituíam uma seita ou partido, na acepção estrita das palavras, porém desfrutavam de enorme autoridade, como intérpretes abalizados das Sagradas Escrituras. Homens de grande erudição, eram consultados em assuntos polêmicos e influenciavam as decisões do Sinédrio, onde estavam representados - por isso, tiveram também sua parte na condenação de Jesus.

Ao contrário dos saduceus, cuja atividade religiosa se exercia somente no Templo de Jerusalém, os doutores atuavam também nas sinagogas e escolas rabínicas. Reverenciavam mais do que ninguém a Torá, mas não se prendiam a uma leitura literal do texto sagrado, reconhecendo nele toda uma dimensão esotérica. Muitos doutores pertenciam ao grupo dos fariseus.

Já os Fariseus faziam parte de um movimento com ramificações em todas as camadas sociais, principalmente nas classes dos artesãos e pequenos comerciantes. Muito religiosos e extremamente formalistas, os fariseus se separavam do resto da comunidade judaica pelo cumprimento ultraminucioso de todas as regras de pureza prescritas na Torá, em especial no livro do Levítico. Daí seu nome, fariseus, que deriva da palavra hebraica perishut ("separação"). Eram ativos nas sinagogas e, em várias ocasiões, foram admoestados por Jesus, que os criticava por se apegarem aos detalhes superficiais da Torá, enquanto negligenciavam seu conteúdo profundo. Dirigindo-se a eles e aos doutores, o mestre os chamou de "condutores cegos, que coais o mosquito e tragais o camelo!"

Não se pode negar que a doutrina farisaica exerceu forte influência sobre o futuro pensamento cristão, principalmente no que diz respeitoà crença na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo. Em política, os fariseus eram nacionalistas, e aguardavam a vinda do Messias, que deveria libertar Israel da dominação romana

Os Zelotes por sua vez eram radicais egressos da seita dos fariseus. Tinha a pretensão de expulsar pelas armas os dominadores pagãos, e cometiam atentados terroristas contra os representantes do Império.

Por isso, eram cruelmente perseguidos pelo poder romano. A base social do partido dos zelotes era formada pelo pequeno campesinato e outros segmentos pobres da sociedade. Sua doutrina era um misto de religiosidade extremada e ultranacionalismo político. Entre os 12 discípulos mais íntimos de Jesus, havia pelo menos dois zelotas: Simão, o Zelota (não confundir com o outro Simão, que o mestre denominou Pedro), e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. O termo Iscariotes, acrescentado ao nome de Judas, tanto pode significar que ele fosse originário da cidade de Kariot, foco da rebelião zelota, como derivar da expressão aramaica ish kariot ("aquele que porta um punhal"), alusão ao fato de os membros dessa seita andarem armados.

Os zelotes parecem ter depositado grandes esperanças na liderança política de Jesus. Porém a amplitude, a profundidade e o longo alcance da mensagem do mestre se chocaram com o caráter restrito e imediatista de uma revolução preconizada por eles

Aguns querem crer que Jesus pertecencesse à seita dos Essênios. Mas a especulação não encontra respaldo em estudos contemporâneos. Basta frisar que um essênio jamais se sentaria à mesa de um cobrador de impostos ou perdoaria uma mulher adúltera, como fez Jesus. Apegados aos preceitos de pureza e ao seu próprio orgulho, os essênios se afastavam de um mundo supostamente corrompido para não se contaminarem. Jesus, ao contrário, transgredia deliberadamente essas mesmas regras. E mergulhava no mundo para transformá-lo.

Puritanos viviam os essênios em comunidades ultrafechadas, como a que se desenvolveu na região de Qumran, às margens do Mar Morto. Muitos deles eram sacerdotes dissidentes do clero de Jerusalém. Segundo eles, nem mesmo os fariseus e os zelotas eram suficientemente rigorosos no cumprimento da Lei judaica. Acreditavam serem os únicos remanescentes puros de Israel. Opunham-se à propriedade privada e ao comércio, valorizavam o trabalho na lavoura e levavam uma vida comunal extremamente austera. Praticavam o celibato ou se casavam somente para perpetuar a espécie. Sua doutrina previa que os aspirantes deviam passar por um período de iniciação, que durava três anos e culminava no ritual do batismo.

Combatiam intransigentemente tanto os romanos quanto o poder concentrado no Templo de Jerusalém, opondo-se ao sacrifício de animais. E aguardavam a vinda do Messias, que deveria liderar uma guerra santa para eliminar os pecadores e instaurar o reino dos justos.

 

JESUS E O TEMPLO

Em determinada época, houve vários santuários disseminados pelo país e a prática religiosa estava muito mais próxima da vida cotidiana do povo. Mas, no século 7 a.C., uma reforma violenta, realizada de cima para baixo, modificou profundamente o culto judaico. Ela ocorreu durante o reinado de Josias, que se estendeu de 640 a 609 a.C. Sob o pretexto de depurar a religião das influências pagãs, herdadas dos povos vizinhos, Josias destruiu os antigos santuários, queimou seus objetos sagrados, massacrou seus sacerdotes e centralizou o culto em Jerusalém.

Por trás de seu furor reformista, havia um inconfessável objetivo político: centralizar o culto e obrigar o povo a acorrer a Jerusalém nas datas estabelecidas a fim de unificar o país em torno da casa real de Judá. A centralização do culto fortaleceu a casta sacerdotal e enriqueceu seus integrantes mais ilustres.

Com a desagregação da monarquia, esse alto clero assumiu o controle da vida nacional. A base econômica de seu poder eram os sacrifícios diários de animais (bois, carneiros, pombos) e a cobrança de impostos realizados no Templo. Os animais

a serem sacrificados passavam por um rigoroso controle de qualidade, baseado nas regras de pureza estabelecidas no livro do Levítico. Esse "exame de pureza" barrava os animais trazidos pelos fiéis, que, em seu lugar, deviam comprar outros, vendidos nos pátios do Templo. Não era de estranhar que os animais considerados puros fossem criados pelas próprias famílias sacerdotais ou por grandes proprietários com elas relacionados.

Os preços variavam de acordo com a demanda. E disparavam na época das festas religiosas. O animal mais barato- o pombo- , chegava a custar então cem vezes o seu preço normal, sendo comercializado por um denário - quantia equivalente ao salário pago por um dia de trabalho/

Os altos sacerdotes não lucravam apenas com a venda dos animais. Tiravam proveito também da conversão do dinheiro utilizado no pagamento dessas "comjpras . Pois as moedas correntes não podiam entrar no Templo. O motivo alegado era que se tratava de dinheiro "impuro". Mas a verdadeira causa estava na desvalorização de seu valor real devido à inflação. Tanto é que as moedas comuns deviam ser trocadas pela tetradracma tíria, cunhada na cidade de Tiro, na Fenícia, atual Líbano.

Outra fonte de renda era o dízimo. Todo judeu do sexo masculino, com mais de 20 anos, era obrigado a pagá-lo . E o Templo possuía o cadastro dos contribuintes, dentro e fora da Judéia. Não admira que judeus puritanos, como os essênios, abominassem o sistema econômico-político-religioso estruturado em torno do Templo. Muitos deles eram ex-sacerdotes, que haviam renunciado à sua proveitosa condição por razões de consciência.

Quando Jesus virou as mesas dos cambistas e expulsou os vendedores de animais do Templo, ele se chocou de frente com os interesses financeiros da classe sacerdotal. Sentindo-se ultrajados e ameaçados pelos ensinamentos de e pela atitudade Jeus, o Sinédrio conseguiu condená-lo à morte.

A condenação

Controlado pelas duas famílias sacerdotais mais poderosas de Israel, as de Anás e Caifás, o Sinédrio - Sanhedrim, em hebráico - era o braço político do sistema de poder estruturado em torno do Templo de Jerusalém. O Sinédrio era responsável por todas as decisões de natureza legal ou ritual. Sua autoridade incontestada se estendia às populações judaicas que viviam fora da Palestina. (vide a ação de Saulo de Tarso contra os primeiros cristãos.

Setenta membros, escolhidos entre os homens mais ilustres da comunidade (saduceus, doutores da lei, fariseus) compunham o Sinédrio que era presidido pelo sumo sacerdote em exercício.

Jesus é considerado uma ameaça ao sistema estabelecido

O Sinédrio não se respaldava numa longa tradição. Pois sua existência remontava apenas ao século 2 a.C. e encerrou-se em 66 d.C.. Também não desfrutava de sólida legitimidade política aos olhos da população, devido a sua política de colaboração com os romanos. Por isso, seus chefes se sentiram altamente ameaçados com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Eram suficientemente ardilosos, porém, para tirar vantagem do desapontamento popular causado pela recusa de Jesus em assumir o papel de líder messiânico. Traído pelo zelota Judas quando se encontrava em oração no monte das Oliveiras e preso pelos soldados do sumo sacerdote Caifás, o Mestre foi levado a uma masmorra existente na casa deste último e cruelmente espancado.


Pôncio Pilatos-sua indiferença diante do drama que se desenrolava. Por que
lavou as mãos?
É preciso entender que sob a domininaçào romana, os judeus não podiam condernar uma pessoa à morte.Uma sentença de morte era da responsabilidade do representante do império romano, no caso, Pôncio Pilatos.
Segundo o relato de Mateus, o Sinédrio condenou Jesus à morte sob a acusação de "blasfêmia". Porém, como dito acima, ainstituição não tinha, autoridade para executar o condenado. Por isso, Caifás encaminhou Jesus ao procurador Pôncio Pilatos. Para o romano, a acusação, de caráter religioso, não fazia o menor sentido. Daí a suahesitação em ratificar a sentença.
Pilatos ainda tentou, em sua indecisão salvar Jesus da morte, ao cumprir o ritual de libertar um prisioneiro na época da Páscoa. O prisioneiro escolhido para ser colocado diante da multidão a fim de que ela decisidesse quem deveria ser libertado foi Barrabás.
E quem era Barrabás ? Para alguns Barrabás era um ladrão, salteador, um homicida. Para outros, era um nacionalista que lutava para libertar Israel do jugo romano e, em uma revolta fracassada, matou um soldado romano.
Enfim, Pilatos teria considerado Jesus inocente e julgado que, por tratar-se de um homem que só fizera o bem, seria o escolhido do povo ao invés do assassino e ladrão e/ ou revolucionário como querem alguns.
Se a versão de que Barrabás era um revolucionário for verdadeira, pode-se compreender melhor porque contou com o apoio de grupo de seguidores e também de indiferentes que incitados, Deus sabe lá por quais grupos ou interesses, levou a turba a escolhe a libertaçào de Barrabás e a condenação de Jesus à morte por crucificação.
Pilatos embora considerasse Jesus inocente, não quis envolver-se mais profundamente e deixou a decisão à turba; lavou as màos quanto ao crime de sua indiferença e tornou-se tristemente famoso.
Barrabás desapareceu na poeira da história ( apenas temos citações dos Evangelistas quanto ao episódio - Mateus 27,15-25; Marcos 15,6-15; Lucas 23, 17-25; João 18, 39-40).
JESUS, porém, não pode jamais ser esquecido pelos ensinamentos que nos legou, por seu exemplo de Amor e Bondade.
 

Fontes consultadas:

Evangelho segundo o Espiritismo- introduçãoTextos sobre Barrabás, Essênios,etc- artigo de José Tadeu Arantes

mapa: editado a partir da revista História Viva, edição temática no1, dezembro 2003

 

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